Casa da Boia Cultural https://casadaboiacultural.com.br Mon, 22 Dec 2025 18:05:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://casadaboiacultural.com.br/wp-content/uploads/2025/03/cropped-favicon_selo_casa-32x32.jpg Casa da Boia Cultural https://casadaboiacultural.com.br 32 32 Natal. Agradecimento, curiosidades e solidariedade https://casadaboiacultural.com.br/natal-agradecimento-curiosidades-e-solidariedade/ https://casadaboiacultural.com.br/natal-agradecimento-curiosidades-e-solidariedade/#respond Mon, 22 Dec 2025 18:05:27 +0000 https://casadaboiacultural.com.br/?p=5387 Vivemos esperando dias melhores. Dias de paz, dias a mais. Dias que não deixaremos para trás. Vivemos esperando o dia em que seremos melhores. Melhores no amor. Melhores na dor. Melhores em tudo. Vivemos esperando dias melhores pra sempre.

Equipe da Casa da Boia. Comprometida e dedicada a fazer o melhor todos os dias!
Equipe da Casa da Boia. Comprometida e dedicada a fazer o melhor todos os dias!

A mensagem da música “Dias Melhores”, de autoria de Rogério Flausino, eternizada pela banda Jota Quest, é fundamentalmente simples, mas diz muito sobre o momento de reflexão que todos temos neste período de Natal e de encerramento do ciclo de um ano. Afinal, é da essência humana o desejo de dias melhores.

Há quem mantenha esta atitude de promover dias melhores em todos os dias do ano, mas, confessemos, muitos de nós, envolvidos com nossas próprias atribulações (trabalho, estudo, filhos, pais, carreira, saúde, negócios…) acabamos de nos dar conta de que pouco fazemos para tornar os nosso dias e o de nossos semelhantes efetivamente melhores.

Sem julgamentos, assim como muitos, nem sempre nos lembramos de agradecer àqueles que estiveram conosco durante todo um ano, dedicando seu tempo, seu talento, colocando suas habilidades e responsabilidade para garantir a satisfação dos clientes da Casa da Boia, afinal, a razão fundamental da existência de nossa empresa.

Temos um time de colaboradores dedicados, comprometidos, que se esforçam diariamente para que a Casa da Boia continue a ser uma referência de honestidade, de oferecer bons produtos, boas soluções, de fazer com que cada cliente se sinta acolhido em suas necessidades.

Durante cerca de oito horas por dia, de segunda a sexta, esses homens e mulheres que compõem o nosso quadro de colaboradores deixam suas preocupações pessoais de lado e se unem em um único objetivo: serem capazes de atender as expectativas de nossos clientes.

Há praticamente 128 anos é assim. Conseguimos sempre? Claro que não. Mas,  sempre nos esforçamos.

A esse grupo dedicado e comprometido expressamos o nosso agradecimento, nosso reconhecimento pelo esforço que dedicam à Casa da Boia e assim como na letra da música, a todos desejamos dias melhores e, especialmente nessa época especial do Natal, dias de paz.

O paradoxo da celebração intimista e do marketing consumista

As comemorações ligadas ao Natal se originam há muitos séculos, quando os povos europeus celebravam o solstício de inverno em torno de uma mesa de comidas e bebidas, lembrando a fartura da colheita.

Vale lembrar que o solstício é quando um dos hemisférios da terra tem o dia com a maior incidência solar, o que torna este dia o mais longo do ano. Logo, no outro hemisfério, este é o dia mais curto.

Assim os povos do norte se reuniam para passar esta que é a noite mais longa do ano em torno de uma comemoração com muitos alimentos, uma festa pagã de grandes proporções.

A igreja católica, no Séc, IV, d.c., durante o papado de Julio 1º, vendo a adesão popular aos festivais do solstício de inverno, passou a difundir a data de nascimento de Jesus Cristo como sendo 25 de dezembro. Uma forma de esvaziar o sentido pagão das comemorações.

A estratégia deu certo e com o crescimento do cristianismo a ideia de que Jesus tenha nascido neste dia foi sendo aceita e o Natal passou a ter uma conotação religiosa, embora não dispensando a tradicional ceia.

Muitos e muitos séculos depois a tradição de comemorar o Natal desembarcou na América por meio dos colonizadores espanhóis e portugueses.

Durante séculos as comemorações natalinas tiveram um sentido intimista muito mais ligado ao sentimento coletivo do partilhar. Na sociedade rural da Europa e mesmo das Américas, cada qual contribuia para a comemoração com aquilo que tinha, principalmente alimentos que plantavam ou os animais que criavam.

Daí a razão da ceia desta noite especial ser excepcionalmente farta em uma sociedade essencialmente pobre.

Mosaico dos três Reis Magos, do Séc. VI, na Basílica Santo Apolinário Nuovo, Itália.
Mosaico dos três Reis Magos, do Séc. VI, na Basílica Santo Apolinário Nuovo, Itália.

Vem da tradição cristã, também, a raiz do hábito da troca de presentes. Ela remonta à história bíblica dos Três Reis Magos – Gaspar, Melchior e Baltazar – que presentearam o recém-nascido Jesus Cristo com ouro, incenso e mirra. Este ato dos Magos é tido como o primeiro gesto de presentear associado ao nascimento de Jesus, simbolizando adoração, respeito e generosidade, algo que se enraizou na cultura cristã, religião que predominou no ocidente durante muitos séculos e hoje, a troca de presentes transcende a religião. 

Para muitos se tornou uma maneira universal de expressar carinho, reforçar vínculos familiares e de amizade, e partilhar a alegria da época festiva e é claro que o capitalismo, doutrina econômica predominante a partir do início do século XX, deu um jeitinho de se aproveitar dessa tradição, incentivando ainda mais o consumo na data.

A imagem do símbolo do Natal vem de uma campanha de marketing

Essa é uma história controversa. É possível que você já tenha ouvido que foi a Coca-Cola quem criou a imagem do Papai Noel, mas, a história, não é exatamente esta.

Resumidamente, a figura do velhinho ligada ao Natal é muito anterior à da campanha de marketing da Coca-Cola.

A figura do bom velhinho como conhecemos surgiu graças ao sincretismo de várias culturas e religiões. Uma delas, a mais difundida, diz que Santa Claus — nome em inglês do Papai Noel —, se baseia na história de São Nicolau, arcebispo do século 4 que deixava moedas de ouro na porta da casa das famílias mais humildes.

Outras fontes citam que a figura pode ser uma adaptação da lenda do “Velho Inverno”, que é anterior a São Nicolau. Segundo esta história, um senhor mais velho andava de casa em casa pedindo comida no inverno. Quem o ajudasse de boa vontade e bom coração garantiria um inverno mais ameno e próspero.

A primeira imagem do "Papai Noel" mais ou menos como o conhecemos. hoje.
A primeira imagem do “Papai Noel” mais ou menos como o conhecemos hoje.

Em 1823, o professor americano Clement Clarke Moore publicou anonimamente o poema The Night Before Christmas (A noite anterior ao Natal). No texto, ele descreve um velhinho bochechudo que viaja de trenó e entra na casa das pessoas por uma chaminé. 

Uma representação mais visual de Noel só ganhou vida em 1863, quando o cartunista americano Thomas Nast criou uma imagem semelhante à que conhecemos hoje. Seu trabalho, inclusive, estampou a capa da revista Harper’s Weekly.

Com o passar dos anos, diversos artistas foram criando suas próprias adaptações de Papai Noel, cada qual com seu toque pessoal. Porém, nenhuma delas ficou tão famosa quanto a que estampou as publicidades da Coca-Cola.

A partir da década de 1930 a companhia de refrigerantes passou a usar uma estratégia comercial de anunciar sua mais famosa bebida como “acompanhamento ideal” para a ceia de Natal em várias revistas impressas dos Estados Unidos. 

Para esta estratégia precisava de um personagem simpático, cativante e, principalmente, de uma identidade visual forte.

O ilustrador Haddon Sundblom foi encarregado de criá-lo. Inspirado no poema de Clark Moore, o ilustrador criou a figura de um velhinho bonachão, risonho, vestido com um casaco e gorro vermelhos, que lia as cartas das crianças e distribuía presentes, sempre acompanhado de uma garrafa ou um copo de Coca-Cola.

Nos anos 1930 a Coca Cola deu ao Papai Noel uma aparência mais fraternal e, claro, sempre acompanhado do refrigerante.
Nos anos 1930 a Coca-Cola deu ao Papai Noel uma aparência mais fraternal e, claro, sempre acompanhado do refrigerante.

De tão disseminadas por décadas, essas propagandas acabaram por criar no imaginário coletivo do início do Século XX a figura do Papai Noel como o conhecemos hoje.

Se Natal é sinônimo de consumismo pode ser também de solidariedade

Vivemos na sociedade capitalista e é impossível passar distante das incontáveis publicidades ligadas à venda de produtos para o Natal. Tudo vira “consumível”. De peru a celular, de chocolate a geladeira, de frutas a brinquedos. Vale tudo para vender e isso não é necessariamente ruim. A sociedade vive do giro econômico.

Porém, acreditamos que não devemos nos esquecer de que podemos ser solidários. Devemos ser.

Imagem da campanha "Natal Invisível", uma das muitas com as quais podemos ainda colaborar.
Imagem da campanha “Natal Invisível”, uma das muitas com as quais podemos ainda colaborar.

Inúmeras iniciativas de incontáveis ONGs, empresas, pessoas físicas e instituições se dedicam a trazer conforto, comida, companhia, alegria e solidariedade àqueles que não conseguem participar da espiral do consumo no Natal.

Seja pessoalmente, seja doando tempo ou recursos, contribuindo de alguma forma podemos fazer a diferença. E não temos a pretensão de conseguir abranger ou relacionar todas as iniciativas destas entidades, apenas queremos lembrar que é possível.

Como forma de contribuir trazemos uma relação de ações sérias e entidades que com nossa ajuda trabalham por dias melhores, pra sempre!

A todos os nossos votos de um feliz Natal.

Inspire-se!

Natal Sem Fome

https://www.natalsemfome.org.br

Idealizado pelo sociólogo Herbert de Sousa, o Betinho, no início dos anos 1990, o Natal Sem Fome busca angariar alimentos para que milhares de famílias em vulnerabilidade social possam ter alguma comida no período de Natal.

Natal Invisível

https://www.spinvisivel.org

Promovido pela ONG SP Invisível, o Natal Invisível promove ceias coletivas de Natal pelas ruas da cidade, convidando a “população invisível” os moradores de rua da capital, a compartilhar momentos de acolhimento com refeições quentes.

Natal Franciscano

https://www.sefras.org.br/blog/natal-franciscano-uma-ceia-de-solidariedade

Sefras – Ação Social Franciscana, assiste em 18 casas de acolhimento, população em situação de vulnerabilidade.

A campanha Natal Franciscano promove ceias comunitárias, encontros de convivência e ações solidárias.

Você pode participar com doações financeiras, alimentos, roupas, itens de higiene ou com o seu tempo como voluntário.

Cartinha de Natal Shoppe

https://shopee.com.br/m/cartinhas-de-natal

No site do marketplace Shopee é possível adotar uma cartinha de Natal enviada por crianças carentes que pedem um presente.

Natal da Cufa

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/natal-da-cufa

A Cufa (Central Única das Favelas) orgniza uma ação emergencial para arrecadar doações após um incêndio acidental atingir o centro de distribuição em Heliópolis, em São Paulo, e queimar cestas básicas, roupas, sapatos, produtos de higiene e limpeza, brinquedos e outros itens que seriam doados a comunidades. A campanha “Natal da Cufa” vai ajudar 5.000 favelas do Brasil.

Natal que Transforma

https://gastromotiva.colabore.org/natalquetransforma/single_step

A organização social Gastromotiva há 18 anos proporciona a inclusão social e produtiva através de capacitações profissionais na área de Gastronomia e Empreendedorismo, além do oferecimento de refeições saudáveis e nutricionalmente balanceadas para população em vulnerabilidade social.

O Objetivo da campanha “Natal que Transforma” é arrecadar fundos para distribuir 20.000 refeições no período de Natal.

Ceia Solidária

https://ligasolidaria.abraceumacausa.com.br

A Liga Solidária, que vai completar 100 anos de fundação em março do próximo ano, está realizando a campanha “Ceia Solidária”  cujo objetivo é entregar cestas de Natal para 4.300 famílias atendidas pela organização. Cada ceia solidária tem o valor de R$ 160, mas é possível doar qualquer quantia.

Campanha de Natal LBV

https://lbv.org/campanha-de-natal/

A campanha de Natal da Legião da Boa Vontade tem o objetivo de arrecadar fundos para doar 40.000 Cestas de Natal para serem doadas a famílias em situação de vulnerabilidade alimentar em todo o Brasil.

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Casa da Boia Cultural encerra 2025 com intensa produção https://casadaboiacultural.com.br/casa-da-boia-cultural-encerra-2025-com-intensa-producao/ https://casadaboiacultural.com.br/casa-da-boia-cultural-encerra-2025-com-intensa-producao/#respond Thu, 18 Dec 2025 11:47:11 +0000 https://casadaboiacultural.com.br/?p=5325 De palestras a eventos gastronômicos, passando pela produção de editoriais temáticos e visitas monitoradas. Assim foi o ano da Casa da Boia Cultural, núcleo da Casa da Boia voltado à difusão da memória e experiências únicas em um espaço singular no centro de São Paulo.

Área de produção da Casa da Boia no início do Séc. XX.
Área de produção da Casa da Boia no início do Séc. XX.

A Casa da Boia nasceu em 1898, como nome de seu fundador: Rizkallah Jorge e Cia. Foi fundada como uma empresa focada na produção e venda de uma extensa linha de produtos feitos em cobre e também material hidráulico.

A produção própria se encerrou na década de 1950 e a empresa se tornou uma das maiores distribuidoras de metais não ferrosos e hidráulica de São Paulo, como é, aliás, até hoje.

Foi sempre uma empresa dedicada ao comércio. 

Mas, ao final da década de 1990, mais especificamente a partir de 1997, o empresário Mario Rizkallah decidiu restaurar a fachada do sobrado sede da empresa, na Rua Florêncio de Abreu, 123.

O sobrado, construído pelo fundador, Rizkallh Jorge, em 1909, havia sido tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal em 1992 e os anos de uso evidenciaram o desgaste da edificação.

Mario então encomendou a uma empresa especializada em restauração de imóveis históricos, a Gepas, o projeto e a execução da obra de restauro da fachada e de algumas salas do imóvel, que a ele devolveu suas características originais.

Junto desta iniciativa, para a comemoração dos 100 anos da empresa, em 1998, foi organizada uma mostra de documentos e fotografias históricas que ocuparam os espaços recém-restaurados.

“Eu não havia tido conhecimento deste tombamento à época. Vim a descobrir anos depois, quando a prefeitura propôs a alguns proprietários de imóveis da rua que aderissem a um programa de revitalização, de restauração das fachadas de seus imóveis, no ano de 1996”, conta Mario Roberto Rizkallah, diretor da Casa da Boia.

Quadros e documentos da primeira versão do Museu Casa da Boia.
Quadros e documentos da primeira versão do Museu Casa da Boia.

“Fui um dos poucos na rua que aceitou fazer a restauração da fachada da forma correta. Uma coisa é contratar um pintor e dar uma mão de tinta na parede, outra, bem diferente, é promover uma restauração com caráter de preservação histórica, muito mais complexa e custosa”, lembra Mario.

A restauração e a instalação desta primeira mostra do acervo preservado da Casa da Boia foram o embrião de um movimento de apoio a atividades culturais, como a produção de um documentário  sobre gravura em metal e uma exposição, em 2006, festivais de corais, música e outras atividades.

Diretoria Cultural trouxe nova dinâmica a essas atividades

Adriana Rizkallah organizou a àrea cultural.
Adriana Rizkallah organizou a àrea cultural.

Estas atividades, ligadas a aspectos históricos e culturais aconteciam de forma esporádica, quase sempre ligadas a alguma comemoração, como os aniversários da empresa.

A partir da entrada na administração da Casa da Boia de Adriana Rizkallah, em 2014, foi ganhando corpo a ideia de que essas atividades tivessem mais atenção e fossem melhor estruturadas.

Esposa do diretor Mario Rizkallah, Adriana têm uma sólida carreira nas artes plásticas, principalmente no trabalho escultórico que desenvolve com a técnica do papel machê.

Inicialmente focada na manutenção do imóvel Adriana se tornou responsável pela Diretoria Cultural da empresa.

A partir de um trabalho de ressignificação de antigos moldes usados na fundição, de tubos de cobre, madeiramento antigo do telhado do imóivel e outros objetos, transformou a ambientação da loja, trazendo referências históricas e arquietônicas únicas para o local.

Concomitantemente, foi estruturando um núcleo de colaboradores compostos por historiadores, jornalistas, os colaboradores regulares da empresa, músicos, e profissionais de várias áreas responsáveis pelas atividades do que se denominou “Casa da Boia Cultural”.

Arte, história e cultura de várias formas

Exposição de Gravuras comemorou os 125 anos da empresa.
Exposição de Gravuras comemorou os 125 anos da empresa.

A Casa da Boia Cultural, formada desta forma colaborativa e multidisciplinar, é responsável por uma série de atividades de difusão da história da própria empresa, de reflexão da história e histórias de São Paulo e da integração do público em geral com atividades diversas.

Dentro do conceito do núcleo cultural da Casa da Boia já foram realizadas exposições de gravura, apresentações e workshops musicais, lançamentos de livros e os projetos regulares dos editoriais mensais, em que diversos aspectos da relação da Casa da Boia com o progresso da ciddade de São Paulo são abordados pelos historiadores Renata Geraissati e Diogenes Sousa, em materiais digitais que podem ser baixados gratuitamente aqui no site da Casa da Boia Cultural.

Um dos editoriais mensais publicados digitalmente pela Casa da Boia.
Um dos editoriais mensais publicados digitalmente pela Casa da Boia.

Um blog semanal explora igualmente a história, curiosidades, arquitetura, personagens e fatos da história que de alguma forma igualmente se relacionam à empresa.

Além destes a Casa da Boia apoia o projeto Janela da História em que o pesquisador Marcus Uchôa traz em pequenos vídeos histórias da São Paulo do início do Séc. .XX, além de reproduzir em 3D, os casarões da Avenida Paulista deste período.

2025 marca a entrada da gastronomia nas atividades

Além dos cerca de 50 temas já abordados no Blog em 2025, 12 editorias, 24 visitas monitoradas e atividades como palestras e Workshops, o ano marcou a estreia de atividades ligadas à gastronomia no calendário de ações da Casa da Boia Cultural.

Sob a curadoria da chef Luiza Rizkalla, fundadora da Parlu Doces as atividades se iniciaram em junho, com uma tarde de experiências sensoriais marcantes com o tema “chocolate”.

A tarde de quinta-feira, 8 de maio, foi de experiências muito enriquecedoras na Casa da Boia, com a palestra e degustação da chocolate maker Priscila França, professora, consultora, autora de livros sobre chocolate e proprietária da marca de chocolates bean to bar que leva seu nome.

O evento representou uma viagem de conhecimento sobre o cacau, as origens do chocolate, e principalmente, o conceito e a filosofia bean to bar (produção artesanal e altamente qualificada de chocolate) feito com cacau de alta qualidade.

Palestra de Priscilla França sobre chocolate.
Palestra de Priscilla França sobre chocolate.

Além das referências históricas desta iguaria Priscilla guiou as pessoas por uma experiência de degustação que foi desde a semente do cacau, passando pelo chocolate industrializado e, por fim, as características e sabores peculiares de uma produção “bean to bar”.

Ao final, um descontraído coffee break, com as delícias da Padaria Santa Efigênia e a oportunidade de adquirir os chocolates Priscila França encerrou o evento ainda em clima de descobertas e uma rica troca de informações e sabores.

Primeiro “Café com Chefs” encerrou as atividades de 2025

Bárbara Andrade e Jorge da Hora encerraram as atividades do departamento cultural.

O ano “cultural” da Casa da Boia terminou no último dia 15, com mais uma atividade gastronômica, a primeira edição do “Café com Chefs”.

Esta primeira edição do evento contou com a participação dos chefs Jorge da Hora, professor e coordenador da pós-graduação em Cozinha Brasileira do Senac São Paulo, e Bárbara Andrade, primeira confeiteira do renomado chef Antonio Bachour no Mata Café. 

Juntos, conduziram uma conversa intimista sobre técnicas, histórias e memórias da doçaria brasileira, proporcionando ao público uma experiência ao mesmo tempo gastronômica, cultural e afetiva.

“O Café com Chef é mais do que degustar; é uma oportunidade de vivenciar histórias, sabores e afetos dentro de um espaço que carrega mais de um século de memória paulistana”, destaca Luiza Rizkallah, chef confeiteira da Parlu Doces e curadora do evento.

“Já estamos programando as próximas edições do evento e pretendemos que a medida que aconteçam a gente consiga abordar diversos aspectos da rica gastronomia brasileira. O próximo Café com Chefs deve acontecer no primeiro trimestre de 2026”, informa Luiza.

Visitas monitoradas já têm seu calendário para 2026

Uma das visitas guiadas por historiadores.
Uma das visitas guiadas por historiadores.

Outro projeto de sucesso da Casa da Boia Cultural, as visitas guiadas pelos historiadores Renata Geraissati e Diógenes Sousa, em que a dupla passeia com os convidados por diversos ambientes da Casa da Boia abordando aspectos da história da empresa, de seu fundador e a intrínseca relação destes com o crescimento da cidade de São Paulo no final do séc XIX e início do séc. XX já tem o seu cronograma definido.

As visitas acontecem toda última quinta-feira do mês, exceto no mês de abril, cuja quinta-feira é véspera do feriado de 1º de maio e em dezembro, quando a Casa da Boia para para férias coletivas.

Confira abaixo o calendário das visitas de 2026:

29 de janeiro
26 de fevereiro
26 de março
23 de abril
28 de maio
25 de junho
30 de julho
27 de agosto
24 de setembro
29 de outubro
26 de novembro
10 de dezembro

Confira nas imagens um pouquinho do que rolou aqui na Casa da Boia Cultural neste ano:

Siga a gente nas redes sociais e fique por dentro da programação 2026 da Casa da Boia Cultural.

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Descubra opções em presentes criativos na casa da Boia https://casadaboiacultural.com.br/descubra-opcoes-em-presentes-criativos-na-casa-da-boia/ https://casadaboiacultural.com.br/descubra-opcoes-em-presentes-criativos-na-casa-da-boia/#respond Thu, 11 Dec 2025 11:41:18 +0000 https://casadaboiacultural.com.br/?p=5266 Existe no sobrado histórico da Casa da Boia, logo na entrada da loja ou do “salão de vendas”, como era chamado no início do Séc. XX, uma inscrição original, que diz “Executa-se qualquer serviço pertencente a essa arte”, sendo esta uma primitiva, mas não menos importante, ação de comunicação do fundador da empresa, Rizkallah Jorge. 

"Executa-se qualquer trabalho pertencente a essa arte". A frase inspira gerações na Casa da Boia.
“Executa-se qualquer trabalho pertencente a essa arte”. A frase inspira gerações na Casa da Boia.

Embora hoje, quase 128 anos depois da fundação da empresa, essa frase pareça apenas um pequeno detalhe na trajetória de sucesso da Casa da Boia, engana-se quem pensa assim.

No tempo em que a empresa fabricava seus próprios produtos, principalmente quando sob supervisão de Rizkallah Jorge, a frase realmente orientava a produção da Casa da Boia. 

Em seu catálogo comercial dos anos 1920 é possível perceber que a empresa produzia uma infinidade de produtos que iam da famosa boia de caixa d’água até equipamentos para carros. De chuveiros a lustres, de equipamentos para fogão a vitrines, de corrimãos a gradis para portões, de torneiras a correntes, de sinos a balanças, de canos de chumbo a filtros de água, de porta copos a registros para vapor, de artigos para tapeçaria a porta toalhas…

Lendo-se o catálogo da década de 1920, percebe-se a variedade de produtos fabricados.
Lendo-se o catálogo da década de 1920, percebe-se a variedade de produtos fabricados.

Quando o fundador de nossa empresa faleceu, em 1949, seus filhos ainda mantiveram a produção própria por alguns anos, até que entenderam que não seria possível concorrer em quantidade com um parque industrial que ofertava milhares de produtos não só em metal, mas agora em plástico também. Não era vocação da Casa da Boia abandonar a qualidade pela quantidade.

Ainda assim, agora comprando de fornecedores os produtos que passou a revender a Casa da Boia continuava com a fama de ser uma loja especializada, onde se encontrava “de tudo” em hidráulica e metais não ferrosos.

De certa forma, se não “executava” mais os produtos pertencentes à arte de manipular o cobre e os metais não ferrosos, tinha uma variedade de produtos em estoque dificilmente encontrados em outros locais.

Os anos continuaram a passar e a Casa da Boia a manter o seu compromisso com a qualidade. Nossa empresa virou sinônimo de disponibilidade de produtos e consultoria técnica especializada.

Aliás, os vendedores que atendiam em nosso balcão eram conhecidos como “consultores técnicos” e com muita autoridade para ostentar esse título. Não havia quem chegasse à Casa da Boia que não saísse com uma solução.

Seja uma solução dentre os milhares de produtos que vendia, seja a indicação de nossos consultores de onde o cliente poderia achar aquilo que necessitava dentro das centenas de lojas especializadas que deram à rua Florêncio de Abreu, o título de “Rua das Ferramentas”.

A Casa da Boia viu a mudança de mais um século e se o Sec. XXI trouxe o advento das compras pela Internet onde se acha de tudo (e convenhamos, de qualidades prá lá de variadas) a Casa da Boia continua firme à ideia básica daquela frase. 

Há muito tempo não executa mais os serviços pertencentes à arte do cobre, mas desde sempre mantém o foco em diversificar a oferta de produtos.

Um universo de possibilidades em presentes criativos

Ao nos aproximarmos do Natal, quando pensamos em presentear família e amigos, quem nunca se deparou com o dilema do “puxa… mas é tudo tão igual…”.

Pois é, o consumo de massa traz essa característica. Muita oferta, muita variedade, mas, tudo com aquela cara de “já vi isso antes”.

Se essa é a sua situação, te fazemos um convite.

Nosso sobrado histórico está a poucos passos da estação de Metrô São Bento.
Nosso sobrado histórico está a poucos passos da estação de Metrô São Bento.

 Há poucos metros da Estação São Bento do Metrô, está a nossa loja, instalada em um sobrado de 1909 tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal, mantido em excelente estado de conservação pela família Rizkallah. 

Ao entrar em nosso “salão de vendas”, você já vai estar em um ambiente histórico, com instalações e mobiliário originais de 1909. Se nossa Árvore de Natal de quase quatro metros de altura vai te surpreender, não menos será a sua surpresa quando descobrir que a Casa da Boia não vende apenas produtos hidráulicos ou industriais mas em cada cantinho deste espaço que parece ter parado no tempo, você encontrará um produto exclusivo e uma excelente ideia de presente.

Panelas de cobre diretamente de Minas Gerais.
Panelas de cobre diretamente de Minas Gerais.

Pode começar por nossa linha de gastronomia em cobre. Aqui você encontra uma grande variedade de panelas, caçarolas, frigideiras, tachos, paejeiras e acessórios para gastronomia feitos artesanalmente em cobre e latão por pequenas fábricas e artesãos do interior de Minas Gerais.

Temos opções de panelas com ou sem acabamento em estanho, que as tornam seguras para o cozimento de pratos salgados ou dos tradicionais “doces de tacho”, um patrimônio gastronômico do Brasil.

Ainda na área de gastronomia e também vindas de artesãos de Minas Gerais, você encontra uma variedade de panelas, formas, travessas, formas de pizza feitas em pedra sabão, ideais para o cozimento dentro da filosofia de “slow food”, comidas cozidas em fogo baixo, por um tempo maior, realçando sabores e ativando memórias afetivas.

Por falar em memória afetiva, em nossa loja você vai despertar lembranças de visitas à casa de seus avós, ou quem sabe às viagens ao interior remetendo a momentos de simplicidade com nossa linha completa de produtos em ágata.

Linha de ágata desperta memórias afetivas.
Linha de ágata desperta memórias afetivas.

São bules, chaleiras, leiteiras, pratos e xícaras de diversos tamanhos e cores que remetem àquele café artesanal, a um bolo feito no fogão à lenha, à simplicidade das coisas boas e saudáveis.

Ah, sim falando em simplicidade, coisas boas e saudáveis, já pensou em presentear sua casa com o mais eficiente método de filtragem de água do mundo e ainda adicionar um charme à sua cozinha?

Então, aqui você encontra em diversos tamanhos o genuíno filtro de barro brasileiro, considerado o melhor sistema de filtragem de água por um estudo conduzido por cientistas norte-americanos e publicado no livro “The Drinking Water Book: How to Eliminate Harmful Toxins from Your Water“.

Se você, por outro lado, está pensando em beber algo mais alcoólico nessas festas de fim de ano, beba com moderação mas com o estilo exclusivo da Casa da Boia.

Coquetelaria em alto estilo!
Coquetelaria em alto estilo!

Aqui  a gente tem uma charmosa linha de taças de cobre e latão, canecas em cobre para Moscow Mule, champanheiras e, para os entusiastas do destilado brasileiro mais famoso de todos, temos alambiques totalmente funcionais para produção de cachaça artesanal.

Em sua visita à nossa loja, você poderá apreciar a delicada decoração de nossa Árvore de Natal feita com miniaturas em cobre. Saiba que elas estão a sua disposição para compor um presente criativo e versátil.

Nossas miniaturas também feitas por artesãos de Minas Gerais são vendidas individualmente e podem formar kits temáticos, ideias para uma lembrança original e personalizada. São panelinhas, leiteirinhas, pequenos bules, mini formas de bolo, dosadores, canecas, lampiões e muito mais.

Nossa loja estará aberta até dia 18

Uma das delicadas miniaturas em cobre que a Casa da Boia comercializa.
Uma das delicadas miniaturas em cobre que a Casa da Boia comercializa.

Todos esses produtos exclusivos você encontra a pronta entrega em nossa loja que fica no coração do centro histórico da cidade de São Paulo. 

Estamos localizados na Rua Florêncio de Abreu, 123, a 100 metros da Estação São Bento do Metrô, bem pertinho do Mosteiro de São Bento. Aliás, o metrô é a melhor forma de chegar à Casa da Boia, mas se você preferir vir de carro, temos estacionamento conveniado no número 131.

Estamos abertos de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h45 até o dia 18 de dezembro. A partir do dia 19 e até o dia 4 de janeiro de 2026, estaremos em férias coletivas.

Se você tiver alguma dúvida ou desejar alguma informação, acesse nosso WhatsApp: (11) 94787-2144 ou diretamente no telefone da loja: (11) 3312-6255.

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Café com Chefs encerra atividades da Casa da Boia Cultural em 2025 https://casadaboiacultural.com.br/cafe-com-chefs-encerra-atividades-da-casa-da-boia-cultural-em-2025/ https://casadaboiacultural.com.br/cafe-com-chefs-encerra-atividades-da-casa-da-boia-cultural-em-2025/#respond Thu, 04 Dec 2025 11:07:59 +0000 https://casadaboiacultural.com.br/?p=5246 Evento com os chefs Jorge da Hora e Bárbara Andrade será um encontro recheado de memória afetiva, história da doçaria brasileira e um café da tarde, tudo no sobrado histórico da Casa da Boia, em pleno centro da capital paulista.

Sobrado histórico da Casa da Boia. Sede dos eventos culturais.
Sobrado histórico da Casa da Boia. Sede dos eventos culturais.

O sobrado nº 123 da Rua Florêncio de Abreu, no centro histórico de São Paulo, é um dos poucos remanescentes de uma época áurea da capital, a virada do século XIX para o Séc. XX.

A edificação, construída em 1909, foi erguida pelo fundador da Casa da Boia para abrigar a fábrica de material feito de cobre, a loja e a moradia da família. Nele Rizkallah Jorge perpetuou a fundição de cobre que fundara anos antes, em 1898, pioneira neste ramo de atividade em São Paulo.

Aqui se consolidou a “Casa da Boia”, nome informal da “Rizkallah Jorge e Cia”, posteriormente “Rizkallah Jorge e Filhos”. O nome pelo qual as pessoas se referiam à casa que comercializava as boias para instalações de caixas d’água se tornou tão forte que a empresa o adotou como razão social oficial.

Os anos foram se passando, o fundador faleceu, seus filhos assumiram o negócio, depois seus netos e muita coisa aconteceu no sobrado que desde sua construção jamais deixou de ser a sede da empresa.

Os anos castigaram a fachada e as atividades da empresa que nele sempre funcionou descaracterizaram parte de sua arquitetura original.

Algo que mudou quando um dos netos do fundador, Mario Roberto Rizkallah, passou a administrar a Casa da Boia e empreendeu uma cuidadosa restauração nos anos 1997/1998 que devolveu à fachada e a alguns ambientes internos do sobrado, suas características originais.

Nascia uma nova percepção sobre a empresa

Fachada e áreas internas do sobrado foram restaurados em 1998.
Fachada e áreas internas do sobrado foram restaurados em 1998.

A restauração da fachada ocorreu por ocasião da celebração dos 100 anos da Casa da Boia, em 1998. A partir deste movimento, documentos e objetos pessoais da família e também da empresa foram informalmente organizados em uma exposição permanente que ocupou as salas restauradas.

Várias iniciativas aconteceram no novo espaço, como duas edições de um festival de pequenos corais, na época do Natal, exposição de gravuras, apresentações musicais de jazz, tudo de uma forma entusiasmada mas esporádica.

Ainda que realizadas de forma despretensiosa estas ações inspiraram outras e foi com a entrada na administração da empresa da artista plástica Adriana Rizkallah que tomou corpo um projeto de convergir as ações de caráter cultural para uma gestão mais dedicada, dentro de um núcleo de atividades que nasceu com o nome de “Casa da Boia Cultural”.

Workshop  sobre inscrtumentos musicais feitos de metal, um dos eventos já realizados na Casa da Boia Cultural.
Workshop sobre inscrtumentos musicais feitos de metal, um dos eventos já realizados na Casa da Boia Cultural.

Coordenado por Adriana, este núcleo formado na empresa passou a organizar de forma mais estruturada atividades como palestras, workshops, exposições, lançamentos de livros, publicações e as visitas monitoradas que acontecem mensalmente.

A chegada da Chef Luiza Rizkallah ao núcleo cultural trouxe também uma nova dinâmica às atividades, conferindo um novo “sabor” aos eventos.

Responsável pela Parlu Doces Luiza começou a fornecer seus cookies para o café que sempre encerrava esses eventos e essa parceria foi a inspiração para a criação de atividades ligadas à gastronomia.

Uma Jornada pelo Mundo do Chocolate Artesanal inaugurou essa nova vertente

Uma experiência única para a compreensão da fabricação do chocolate de alta qualidade inaugurou as atividades gastronômicas na Casa da Boia Cultural.
Uma experiência única para a compreensão da fabricação do chocolate de alta qualidade inaugurou as atividades gastronômicas na Casa da Boia Cultural.

No dia 8 de maio de 2025 aconteceu o primeiro evento desta vocação da Casa da Boia Cultural.

Durante toda uma tarde um grupo de pessoas interessadas no tema teve a oportunidade de participar de uma degustação guiada pela “chocolate maker” Priscila França, professora, consultora, autora de livros sobre chocolate e proprietária da marca de chocolates bean to bar que leva seu nome.

O evento representou uma experiência sensorial única e uma viagem de conhecimento sobre o cacau, as origens do chocolate, e principalmente, o conceito e a filosofia bean to bar (produção artesanal e altamente qualificada de chocolate) feito com cacau de alta qualidade.

Ao final, um coffee break, com as delícias da Padaria Santa Efigênia e a oportunidade de adquirir os chocolates Priscila França encerrou o evento ainda em clima de descobertas e uma rica troca de informações e sabores.

Uma nova oportunidade se aproxima com o “Café com Chefs”

Chef Bárbara Andrade.
Chef Bárbara Andrade.

Referência histórica na produção de utensílios de cobre e na preservação do patrimônio cultural paulistano, a Casa da Boia recebe no dia 15 de dezembro, às 14h, o Café com Chefs – uma experiência única em que os convidados poderão aprender sobre a história da doçaria brasileira, enquanto degustam um café da tarde em nosso sobrado de 1909.

Esta primeira edição do evento contará com a participação dos chefs Jorge da Hora, professor e coordenador da pós-graduação em Cozinha Brasileira do Senac São Paulo, e Bárbara Andrade, primeira confeiteira do renomado chef Antonio Bachour no Mata Café. Juntos, conduzirão uma conversa intimista sobre técnicas, histórias e memórias da doçaria brasileira, proporcionando ao público uma experiência que é ao mesmo tempo gastronômica, cultural e afetiva.

“O Café com Chefs é mais do que degustar doces; é uma oportunidade de vivenciar histórias, sabores e afetos dentro de um espaço que carrega mais de um século de memória paulistana”, destaca Luiza Rizkallah, chef confeiteira da Parlu Doces e curadora do evento.

Chef Jorge da Hora.
Chef Jorge da Hora.

Organizado pela Casa da Bóia Cultural, em parceria com a Parlu Doces, o Café com Chefs busca aproximar o público do patrimônio histórico da cidade, celebrando a gastronomia brasileira como cultura viva e experiência afetiva.

Evento ainda conta com vagas

As vagas para o Café com Chefs são limitadas a 30 participantes, a quantidade ideal para que todos vivenciem uma experiência única e intimistas.

Para se inscrever basta preencher o formulário disponível aqui em nosso site, lembrando que o evento acontece no dia 15 de dezembro de 2025, às 14h, aqui na Casa da Boia, Rua Florêncio de Abreu, 123, Centro, bem próximo da Estação São Bento do Metrô.

O valor de R$ 100,00 da inscrição inclui a palestra e degustação do café da tarde.As reservas para o evento podem ser feitas por meio deste link.

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A Árvore de Natal da Casa da Boia https://casadaboiacultural.com.br/a-arvore-de-natal-da-casa-da-boia/ https://casadaboiacultural.com.br/a-arvore-de-natal-da-casa-da-boia/#respond Thu, 27 Nov 2025 11:08:09 +0000 https://casadaboiacultural.com.br/?p=5147 A montagem da Árvore de Natal da Casa da Boia já se tornou, digamos, uma tradição contemporânea em uma empresa de tantas tradições. Antes uma ação com pouco significado, atualmente a grande árvore que enfeita a loja carrega em si a magia de unir pessoas e representa um período de renovação, de despertar e compartilhar memórias.

O Natal é, em si, uma época de tradições. Aquela comida especial preparada especialmente para a ceia, o ritual da decoração da casa, a busca pelo presente ideal e a visita do Papai Noel que torna a noite de Natal mágica para as crianças são tradições herdadas “desde sempre”, cujas origens não nos atentamos e seguimos perpetuando esses rituais de final de ano.

É o caso da montagem da Árvore de Natal.

Desde crianças nos encantamos com o ritual, com as bolas coloridas, os cordões, enfeites e as luzes. Adultos, passamos a querer repetir esse encanto para as crianças e assim o ciclo do Natal vai se cumprindo ano a ano.

Mas, afinal, por que uma árvore enfeitada é um dos símbolos do Natal?

As origens

Segundo a historiadora Lorena Pérez Yarza, especialista em epigrafia (estudo dos escritos) do Império Romano, os primeiros registros da celebração do Natal datam do século IV depois de Cristo — um século fundamental para a história do cristianismo, pois foi quando o Império Romano se converteu oficialmente a essa religião.

Nesse período, as pessoas “começaram a discutir a origem e a humanidade de Jesus, e então começou a ser importante não apenas celebrar a morte e a crucificação, mas também o nascimento”, conta Lorena em entrevista concedida à CNN Brasil.

Ainda segundo a historiadora, embora celebrar o nascimento de Cristo já fosse algo consolidado a partir de então a tradição da decoração da árvore levaria ainda alguns séculos e teria origem nas guerras religiosas.

Esta ilustração publicada em 1848 ajudou a popularizar a tradição da Árvore de Natal.
Esta ilustração publicada em 1848 ajudou a popularizar a tradição da Árvore de Natal.

“Quando Carlos Magno (no século VII) conquistou o norte da Itália, grande parte da atual Alemanha, o sul da França, o norte da Espanha e territórios adjacentes, um dos grandes confrontos que teve foi com os povos saxões e os fenícios”, explicou Perez.

Essas cidades tinham suas próprias tradições, como por exemplo, o culto à divindade Frey, e isso incluía a decoração de árvores.

Na Alemanha a tradição de decorar a árvore também tinha outro elo: o culto à árvore da vida, o Yggdrasill , um freixo gigante que na mitologia nórdica sustentava o universo com três raízes que se estendiam até o submundo, a terra dos gigantes e dos deuses.

A história dos próprios cristãos sobre a origem da árvore de Natal é contada por São Bonifácio, evangelizador da região da Alemanha e Inglaterra, que segundo a tradição derrubou uma árvore dedicada ao deus Odin, da mitologia nórdica e em seu lugar plantou um pinheiro, “símbolo do amor perene de Deus”.

Outras fontes atribuem também a tradição de se enfeitar a àrvore à Alemanha, mas por outras razões, com raízes em costumes pagãos de decorar árvores perenes para celebrar o solstício de inverno.

O costume se fortaleceu no século XVI, possivelmente ligado a Martinho Lutero, e foi popularizado na Inglaterra pela Rainha Charlotte no século XVIII, tornando-se mundialmente popular após uma imagem da Rainha Vitória e do Príncipe Albert em frente a uma Árvore de Natal ser publicada em 1848.

Uma tradição surgida há pouco…

Durante anos esta maquete encantou crianças e adultos na vitrine da loja. Hoje faz parte do acervo do Museu Casa da Boia.
Durante anos esta maquete encantou crianças e adultos na vitrine da loja. Hoje faz parte do acervo do Museu Casa da Boia.

Voltando ao Brasil, a tradição da montagem e decoração da Árvore de Natal se intensificou ao longo das primeiras décadas do Séc. XX, quando muitos imigrantes europeus desembarcaram em nosso país, principalmente no sudeste e sul, para trabalhar nas lavouras, primeiramente, e depois nas fábricas.

Aqui na Casa da Boia, que sempre funcionou no mesmo edifício, o sobrado histórico da Rua Florêncio de Abreu, 123, não temos registros históricos de que a loja fazia uma decoração de Natal.

Funcionários mais antigos e mesmo nosso diretor, Mario Rikallah, contam que o que existia era a colocação na vitrine da loja de uma antiga maquete, trazida da Itália por Rizkallah Jorge, quando este participou da Feira Internacional de Turim, em 1911.

Orestes Galleriano, responsável pela montagem da Árvore de Natal da Casa da Boia.
Orestes Galleriano, responsável pela montagem da Árvore de Natal da Casa da Boia.

Não era um presépio e sim uma maquete que simulava uma fundição. Movida por um pequeno motor elétrico e com “metalúrgicos” que se moviam, sobre uma plataforma iluminada, simulando um forno de metais, a maquete fazia sucesso na vitrine.

Por seu caráter histórico, hoje esta maquete faz parte do acervo do Museu da Casa da Boia e não é mais utilizada para fins decorativos.

Mas, hoje, a loja conta com uma outra atração natalina. A enorme árvore que chega a mais de quatro metros de altura e que há quase uma década enfeita o salão de vendas da Casa da Boia.

“Essa história começou quase por acaso”, relembra Orestes Galeriano, artista responsável pela montagem da Árvore.

“Eu já trabalhava para a Adriana (Rizkallah) decorando a Árvore de sua casa, quando ela me propôs criar uma para a Casa da Boia. Sob a sua orientação, a gente fez a primeira há nove anos e o resultado ficou muito bonito”, lembra Orestes.

“Curioso é que eu começo a montagem pela parte de cima da árvore, claro, pois senão ficaria muito difícil de fazer o acabamento. “As pessoas, clientes, olham… e comentam ‘que pequenina essa árvore’. Digo para aguardarem uns dias para verem o quanto ela cresce”, diverte-se Orestes.

Ao final de alguns dias de trabalho a arvore pequenina chega aos seus mais de quatro metros de altura, carregando em seus galhos o “fazer artesanal”, em cada detalhe.

Adriana Rizkallah idealizou o conceito da Árvore de Natal e desenvolve os enfeites com papel machê e retalhos de metais.
Adriana Rizkallah idealizou o conceito da Árvore de Natal e desenvolve os enfeites com papel machê e retalhos de metais.

A começar pelos itens que decoram a árvore. Ao invés de apenas bolas natalinas, e as tradicionais luzes, a árvore da Casa da Boia traz referências inequívocas ao artesanal, ao ofício.

Em sua decoração são utilizadas miniaturas de panelas, tachos, taças e canecas em cobre. Objetos que remetem a uma memória afetiva, um cuidado com a reprodução em miniatura e uma referência aos metais que sempre estiveram à frente do desenvolvolvimento da empresa, o cobre, o latão, o bronze.

Contrastando com esses elementos, o papel machê traz uma identidade sustentável e criativa.

As pequenas guirlandas, detalhes da decoração e a grande estrela ao topo da árvore são feitas com a técnica de papel machê pela artista plástica Adriana Rizkallah, também diretora de projetos e diretora cultural da Casa da Boia e responsável pelo início desta já denominada “tradição contemporânea”.

“Quando passei a atuar na Casa da Boia tive a percepção do valor que seria ter uma Árvore de Natal no espaço de nossa loja, que é permeado pela dureza dos metais que comercializamos, mas, ao mesmo tempo, é composto de inúmeras e belas referências arquitetônicas, conferindo ao espaço esse caráter único na rua Florêncio de Abreu”, comenta Adriana Rizkallah.

Detalhes da decoração com miniaturas de cobre e enfeites feitos de papel machê e retalhos de metal.
Detalhes da decoração com miniaturas de cobre e enfeites feitos de papel machê e retalhos de metal.

“A árvore foi ganhando cada vez mais significado a cada ano, já que não a montamos, simplesmente, mas criamos uma ambientação que ‘convida’ as pessoas a sentarem, a aproveitar esse momento de pausa, a criar uma lembrança, fotografar, registrar, enviar aos familiares esse registro e mesmo refletir sobre esse período tão especial do Natal.

A cada ano discutimos como propor uma identidade nova à árvore, que, afinal, é a mesma, mas ganha contornos diferentes graças à habilidade do Orestes”, comenta a mentora da ideia da Árvore.

“A estrela que encabeça a árvore traz esta representatividade. Assim como o metal, ao ser fundido, se transforma em diversas possibilidades, assim é a estrela que representa a fusão entre a tecnologia, o artesanal, pessoas, ofícios, relações, história, memória e pertencimento”.

É Tempo de Transformar

A borboleta, símbolo da transformação, permeia não só a decoração da árvore deste ano, mas toda uma proposta de ações para 2026.
A borboleta, símbolo da transformação, permeia não só a decoração da árvore deste ano, mas toda uma proposta de ações para 2026.

Se a cada ano a Árvore de Natal da Casa da Boia se transforma ao refletir uma abordagem diferente para cada período natalino, em 2025 ela representa ainda mais, pois ao abrigar em seus galhos as borboletas de cobre e papel de sua decoração deste ano, convida a uma nova atitude cujo objetivo é se estender durante todo o ano de 2026.

É tempo de transformar. Este é o tema não de uma campanha comercial, um plano de incentivo, um discurso motivacional, mas sim a proposta de uma reflexão sobre atitudes, sobre como podemos transformar a nós mesmos e assim transformar o ambiente que nos circunda.

A lagarta, transformada em borboleta, simboliza essa atitude proposta pela Casa da Boia.

O que desejamos transormar? O que queremos transformar? O que devemos transformar? O que podemos transformar? O faremos para transformar?

Assim como a cada ano nossa Árvore de Natal se transforma, ainda que mantendo sua essência, assim convidamos todos a vivenciar a experiência de conhecê-la, de se sentar a seu lado, de contemplar o tempo que parece ter parado nos detalhes dos móveis, objetos e construção original de nosso sobrado histórico.

E, neste tempo de contemplação, desejamos que você se encontre na transformação.

A Árvore de Natal da Casa da Boia pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30 em nossa loja, que fica na Rua Florêncio de Abreu, 123, centro, São Paulo. Bem próximo à estação São Bento do Metrô, até o dia 18 de dezembro.
A Árvore de Natal da Casa da Boia pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30 em nossa loja, que fica na Rua Florêncio de Abreu, 123, centro, São Paulo. Bem próximo à estação São Bento do Metrô, até o dia 18 de dezembro.

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Sabores únicos. Um giro pelos restaurantes árabes de São Paulo https://casadaboiacultural.com.br/sabores-unicos-um-giro-pelos-restaurantes-arabes-de-sao-paulo/ https://casadaboiacultural.com.br/sabores-unicos-um-giro-pelos-restaurantes-arabes-de-sao-paulo/#respond Thu, 20 Nov 2025 15:05:06 +0000 https://casadaboiacultural.com.br/?p=5112 Quando os primeiros imigrantes sírios e libaneses desembarcaram no Porto de Santos e de lá subiram a serra para a capital paulista, nos idos do Séc. XIX, trouxeram, além de sua bagagem de mão, uma rica cultura e uma culinária peculiar para os brasileiros. Desde então a “comida árabe” se consolidou no gosto do paulistano e hoje uma série de estabelecimentos, do mais simples ao mais requintado, oferecem as iguarias antes acessíveis apenas aos membros da comunidade.

Antes da imigração incentivada promovida pelo Brasil no Século XIX, a alimentação dos grupos que viviam nas aldeias e pequenas vilas pelo território brasileiro era basicamente composta pelos vegetais e legumes aqui plantados, como a mandioca e o milho e pela carne de caça e pesca.

Os indígenas nativos e os portugueses eram as etnias dominantes na São Paulo colonial e a culinária refletia os hábitos alimentares destes grupos. Até que não de forma esparsa, mas sim em grande quantidade, italianos, espanhóis, suíços, portugueses, alemães, sírios e libaneses chegaram ao território brasileiros.

A imigração síria e libanesa se concentrou bastante no sudeste e também no norte do país e por onde passaram os “mascates” deixaram marcas na culinária local, que agora passou a conhecer outros temperos, outros sabores, misturas e ingredientes.

No início, uma forma de agregar os imigrantes

Esfiha, quibe, tabule, shawarma, baba ganoush, homus, falafel e outros pratos típicos eram preparados não sem grande dificuldade pelas famílias de imigrantes, uma vez que certos ingredientes não eram fácil de serem encontrados por aqui.

Quando os imigrantes começam a se organizar em associações e, principalmente clubes, como o Clube Homs, o Monte Líbano e o Esporte Clube Sírio a culinária síria e libanesa (duas colônias dominantes na imigração para São Paulo), começa a ser mais conhecida fora destes grupos étnicos.

Embora muitos estabelecimentos comerciais de pequeno porte vendessem pratos da culinária árabe pela cidade, principalmente na região da rua 25 de março, é razoável consenso que o primeiro restaurante, digamos, que tenha “rompido” o círculo da comunidade sírio libanesa tenha sido o Almanara.

Foi fundado em 1950 pela família Cury, de origem libanesa, na rua Basílio da Gama, no centro da cidade de São Paulo, onde até hoje mantém em funcionamento seu primeiro restaurante. Hoje o Almanara tem cerca de 14 unidades próprias na capital, interior paulista e até mesmo no Rio de Janeiro.

Outros surgem pouco tempo depois

Ainda na década de 1950, surgem outros restaurantes que ainda estão em atividade. 

A Casa Garabed, fundada por imigrantes armênios em 1951, ainda funciona em uma pequena rua do bairro de Santana e é famosa por suas esfihas.

O Dozza, fundado pelo imigrante de ascendência arménia, Boos Oxoolania, nasceu em 1956 em Osasco, como um armazém que vendia também uma variedade de doces, e as esfihas de carne. Nos anos 1980 o mercado evolui para a “Esfiharia Dozza”, ainda em Osasco.

Com o falecimento dos fundadores seus herdeiros foram ampliando o restaurante que hoje, além da matriz da cidade vizinha, conta com outras cinco unidades em bairros de São Paulo.

A culinária de temperos marcantes, ingredientes diferentes e sabor até então peculiar foi conquistando o gosto dos paulistanos e outros vários restaurantes surgiram ao longo das décadas de 1960, 70 e 80.

Muitos conquistaram um lugar na memória paulistana

A chef e confeiteira Luiza Rizkallah, tem memórias afetivas ligadas à culinária síria e árabe, tradição herdade de seu bisavô, Rizkallah Jorge e de toda a família. À frente da Parlu Doces, cria delícias influenciada por essa herança cultural e gastronômica. Luiza cita outros restaurantes que valem a visita.

É o caso do Raful, fundado em 1960 pelos  irmãos Tannous e Raffoul Doueihi, recém chegados do Líbano. Eles abriram o pequeno Kit Kat na região da 25 de Março, servindo pratos que continham segredos culinários da família.

Ao ampliar o restaurante alguns anos depois, aproveitaram também para rebatizá-lo com o nome pelo qual é conhecido hoje. Atualmente o Raful, além da casa original, na rua Comendador Abdo Schahin, tem outros dois endereços na cidade.

Também na rua Comendador Abdo Schahin, o Suméria Restaurante oferece uma grande variedade de esfihas, pratos e doces árabes, em seu salão sempre com mesas disputadas na movimentada região da 25 de março.

Inaugurado em 1973, inicialmente no Bairro do Brás em São Paulo, hoje no bairro do Paraíso, o Restaurante Halim se coloca como “um tributo à cultura árabe, pois cada uma de suas receitas foi criada com o intuito de preservar uma tradição que a família aprendeu a respeitar como parte da história de um povo”.

O restaurante Farabbud iniciou suas atividades em 2002, onde até hoje mantém sua primeira casa, na Alameda Anapurus, em Moema.

Outro restaurante clássico da culinária libanesa é o “Monte Líbano”, fundado em 1973 também na região da rua 25 de Março, agora chama-se “Alice Monte Líbano” e se mudou para a Vila Olímpia.

E novos locais surgiram

O Nojoud Restaurante Árabe é um representante da nova geração de casas de culinária árabe na cidade. Localizado no centro do Brás, a pequena casa está sempre lotada.

Outro local “descolado” é o Aboud Síria, no largo do Paissandu, centro da cidade.

Com vasta experiência em pratos árabes, o imigrante Aboud, proveniente da Síria, especializou-se no preparo do Shawarma e do Falafel, servidos na casa pequena mas bem montada em pleno coração da cidade.

Empreendimento dos irmãos Gustavo e Denise Batistel, o Baruk Cozinha Árabe começou sua história há 11 anos no bairro da Vila Olímpia,onde se estabeleceu. Dois anos depois, inaugurou a segunda unidade, no bairro do Itaim Bibi.

E a história se repete

Assim como quando os primeiros imigrantes sírios e libaneses chegaram à São Paulo no Século XIX, os conflitos no Oriente fizeram muita gente migrar para o Brasil fugindo das guerras da Região.

Assim foi com o casal sírio Hasan Alherek e Lujain Ezzo, que chegaram ao Brasil fugidos dos conflitos na Síria e abriram no bairro do Jabaquara o Lujain Restaurante Árabe.

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Vilanova Artigas e a importância da “Escola Paulista” de arquitetura https://casadaboiacultural.com.br/vilanova-artigas-e-a-importancia-da-escola-paulista-de-arquitetura/ https://casadaboiacultural.com.br/vilanova-artigas-e-a-importancia-da-escola-paulista-de-arquitetura/#respond Thu, 13 Nov 2025 11:00:00 +0000 https://casadaboiacultural.com.br/?p=5061 Há quarenta anos falecia na capital paulista o arquiteto João Batista Vilanova Artigas, mentor de um movimento que transformou a arquitetura brasileira em um momento de transição entre uma estética ainda vinculada à influência europeia do início do Século para uma linguagem moderna e minimalista.

Fachada da Casa da Boia em estilo Eclético, uma estética que perderia força a partir de 1930.
Fachada da Casa da Boia em estilo Eclético, uma estética que perderia força a partir de 1930.

No início dos anos 1930, São Paulo ainda vivia a intensa transformação urbana das décadas anteriores, impulsionada pelo crescimento econômico proporcionado pelas indústrias, mas agora, diferente do que acontecera naquele período o final dos anos 1920 representava a novidade que era o processo de verticalização da cidade, até então majoritariamente formada por edifícios térreos ou sobrados.

O estilo arquitetônico que ainda dominava a paisagem da cidade era o Ecletismo, frequentemente associado a uma arquitetura suntuosa, com forte influência europeia e uso de ornamentos de fachada.

Se aqui você lembrou da linda fachada da Casa da Boia não relacionou errado. A sede da nossa empresa é até hoje um exemplar de edifício eclético no centro da cidade. E, podemos dizer, um dos mais bem conservados e que mantém sua função original até hoje.

Se você ainda não conhece vale a visita à nossa loja histórica onde você encontra uma variedade de produtos de cobre para a sua casa. Desde produtos para gastronomia, até decorativos. A gente promove toda a última quinta-feira do mês uma visita guiada por historiadores na qual você conhece melhor nossa história e a importância da Casa da Boia para a história de São Paulo.

Voltando ao nosso assunto, a partir dos anos 1930 começa a se formar nas escolas de arquitetura jovens que encaravam esta linguagem ultrapassada, pouco ligada a uma estética genuinamente brasileira.

Em 1928, já havia sido construída a Casa Modernista de Gregori Warchavchik, considerada a primeira construção modernista no Brasil. Mas a aceitação e edificação de projetos “modernistas”  se consolidariam gradualmente.

Edifício Esther, no centro de São Paulo. Considerado um dos primeiros edifícios modernistas da capital.
Edifício Esther, no centro de São Paulo. Considerado um dos primeiros edifícios modernistas da capital.

Um marco da transição foi o Edifício Esther (projetado em 1935, inaugurado em 1938), considerado um dos primeiros edifícios residenciais modernistas de São Paulo, que incorporava os chamados  “Cinco Pontos da Nova Arquitetura”, propostos pelo arquiteto franco-suiço Le Corbusier, ainda em 1926.

Esses cinco “pontos fundamentais” de uma arquitetura moderna seriam: pilotis, plantas livres, fachadas livres, janelas em fita (abertura horizontal longa e contínua, muitas vezes ocupando grande parte da fachada) e terraços-jardim.

O movimento que estava tomando forma na intelectualidade, nos urbanistas e arquitetos ganharia importância crescente a partir dos anos 1940, muito impulsionado pela figura de um  jovem arquiteto chamado João Batista Vilanova Artigas.

Artigas lidera o movimento modernista na arquitetura

O arquiteto João Batista Vilanova Artigas.
O arquiteto João Batista Vilanova Artigas.

O paranaense Vilanova Artigas cursou engenharia na Escola Politécnica, com manifesto interesse em arquitetura, à época uma extensão do curso em que se formou no ano de 1937.

Ainda estudante, fazia estágio no escritório de Oswaldo Bratke e Carlos Botti e ao mesmo tempo frequentava o curso livre de desenho com modelo vivo da Escola de Belas Artes de São Paulo. No ano seguinte, teria aulas de modelo vivo nos ateliês do Grupo Santa Helena, onde conheceu artistas como Francisco Rebolo, Fulvio Pennacchi, Mário Zanini, Aldo Bonadei, entre outros representantes da intelectualidade e da vanguarda do pensamento paulista.

O arquiteto logo cedo se envolveu em atividades acadêmicas, assumindo uma cadeira de professor na Poli já em 1940, onde articulou com outros acadêmicos a formação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, inaugurada em 1948 e da qual foi um de seus primeiros professores.

Neste momento de sua carreira já era um profissional reconhecido, com escritório próprio e obras realizadas, sendo influência para os arquitetos de novas gerações. Pensador da arquitetura moderna, apesar de ter sido influenciado pelos preceitos de Le Corbisier, contestou os padrões rígidos de sua arquitetura em um artigo publicado em 1951 na revista Fundamentos, chamado “Le Corbusier e o Imperialismo”, no qual critica o sistema modular criado pelo arquiteto franco-suíço. Ao padronizar os sistemas de medidas, o princípio facilitava, de acordo com Artigas, a dominação dos Estados Unidos sobre os países menos desenvolvidos.

Com isso Artigas se colocava em uma posição não de negar o valor dos cinco pilares, mas sim que eles precisavam extrapolar as proporções “pré-fabricadas”.

O brutalismo no movimento modernista

Vilanova Artigas é reconhecido como um dos principais arquitetos brasileiros do século XX e provavelmente o mais influente no contexto da arquitetura paulista. 

Sua obra foi marcada por várias inflexões, decorrentes dos avanços tecnológicos, discussões das correntes artísticas nacionais e internacionais e questões políticas. 

No início de sua carreira, do período que vai de 1937 a 1945, seus projetos tiveram forte influência da obra de Frank Lloyd Wright. Nesse momento, o arquiteto se vale de grandes beirais, integração entre interior e exterior, volumes salientes da volumetria do conjunto e materiais aparentes, como madeira e tijolos. 

O estilo brutalista do estádio do Morumbi, aqui, em 1929, em construção.
O estilo brutalista do estádio do Morumbi, aqui, em 1929, em construção.

Em seguida, entre os anos de 1946 a 1952, seus projetos são marcados pela influência de Le Corbusier e Niemeyer. Passam a constar, no seu vocabulário construtivo, volumes geométricos puros apoiados sobre pilotis, grandes aberturas, brises e rampas. E, de 1952 até o final de sua carreira, caracteriza sua fase brutalista, na qual se encontram seus projetos de maior destaque e que encontrou simpatia de toda uma geração de arquitetos.

A característica visual mais evidente e duradoura do Brutalismo é a valorização do concreto armado aparente. O concreto “cru”, que mostra as marcas das fôrmas de madeira, é utilizado não apenas como elemento estrutural, mas como acabamento final, celebrando a “verdade construtiva”.

A preferência por poucos materiais, basicamente concreto, madeira, vidro, aço é característica fundamental do movimento, resultando em edifícios de estética rigorosa, menos propensos à ornamentação e mais focados na forma pura e na materialidade.

Outro projeto brutalista da capital é a sede do Cluba Atlético Paulistano.
Outro projeto brutalista da capital é a sede do Cluba Atlético Paulistano.

Esta estética “Brutalista” legou importantes edificações para a cidade de São Paulo, como o estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Estádio do Morumbi, o Santa Paula Iate Clube, na Represa do Guarapiranga, (ambos projetos de Artigas), o Museu de Artes de São Paulo, de Lina Bo Bardi,  o Tribunal de Contas do Município de São Paulo, de Plinio Croce, Roberto Aflalo e Giancarlo Gasperini, a Paróquia Santa Maria Madalena e São Miguel Arcanjo, de Joaquim Guedes, O Museu Brasileiro da Escultura e Ecologia (MuBE), projetado por Paulo Mendes da Rocha , o Centro Empresarial Itaú, no Jabaquara, projeto dos arquitetos Eduardo Martins Ferreira, Felipe Aflalo e Jaime Marcondes Cupertino.

Outro projeto de Arquitetura Brutalista é a Estação São Bento do Metrô, aqui, ao lado da Casa da Boia, projeto de Marcelo Accioly Fragelli.

FAU, Artigas e Rizkallah

O edifício da FAU teve construção da construtora ANR - Alfredo Nagib Rizkallah, descendente do fundador da Casa da Boia.
O edifício da FAU teve construção da construtora ANR – Alfredo Nagib Rizkallah, descendente do fundador da Casa da Boia.

Dentre tantas obras legadas por Artigas à cidade, uma das mais icônicas e importantes tem relação também com um integrante da família Rizkallah.

Vilanova Artigas, com Carlos Cascaldi, seu colaborador em diversas obras, conceberam o projeto de um edifício para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP a ser construído no Campus da Cidade Universitária, em 1961. A faculdade funcionava, então, na antiga Vila Penteado – casarão art nouveau localizado à rua Maranhão, no bairro de Higienópolis.

Edifício da FAU em construção.
Edifício da FAU em construção.

A nova sede da FAU seria um enorme edifício que evidencia as linhas mestras de sua concepção de arquitetura, bem como suas ideias a respeito da formação do arquiteto. 

No terreno plano da cidade universitária, o arquiteto se valeu de soluções já experimentadas em dois colégios estaduais paulistas, o de Itanhaém (1960-1961) e o de Guarulhos (1961), realizados também em parceria com Cascaldi. 

O uso do concreto bruto, do vidro, a simplicidade de suas linhas, assim como a ênfase na integração dos espaços caracterizam esses edifícios, econômicos, funcionais e plasticamente originais.

Vão livre no interior do edifício da FAU. Simplicidade proporcionando interação.
Vão livre no interior do edifício da FAU. Simplicidade proporcionando interação.

O edifício, cuja construção foi iniciada em 1966 e concluída em 1969, mostra-se externamente como um grande paralelepípedo em concreto, sustentado por pilares em forma de trapézios duplos, apoiados levemente sobre o solo. 

Ao contraste entre os leves pontos de apoio e o peso do volume que sustentam, combina-se o jogo entre planos fechados e superfícies envidraçadas ou abertas da parte inferior e de acesso ao prédio.

É justamente na construção do edifício da FAU que a história de Artigas tangencia a história de Alberto Nagib Rizkallah, um dos descendentes do fundador da Casa da Boia, Rizkallah Jorge Tahan.

A construtora ANR (Alberto Nagib Rizkallah) foi a escolhida para realizar as obras de concretagem do novo edifício e realizou o trabalho sob supervisão de Artigas.

40 anos sem Vilanova Artigas e o legado do arquiteto.

Vilanova Artigas em evento no interior do edifício da FAU, que aliás, leva o seu nome.
Vilanova Artigas em evento no interior do edifício da FAU, que aliás, leva o seu nome.

Pensador contemporâneo, progressista que enxergava também na arquitetura uma função social, integrante de grupos intelectuais de vanguarda, liderança de entidades como a FAU e o Instituto dos Arquitetos do Brasil e filiado ao Partido Comunista Brasileiro, fica fácil perceber que Artigas não era uma pessoa que a ditadura militar brasileira queria como personalidade de destaque.

Foi uma das primeiras pessoas a ser presas pelo regime após o golpe de 1964. Liberado, passou a viver no Uruguai por um tempo e voltou ao Brasil na clandestinidade, passando a viver na casa de amigos. Em 1968, junto com outros professores da USP foi aposentado compulsoriamente por meio do Ato Institucional nº 5.

Com a anistia, em 1979 voltou à FAU, mas na condição de auxiliar de ensino, cargo inicial da carreira universitária. A congregação da FAU não aprovou a reabilitação de seu cargo de professor titular, causando protestos e apoio de outras instituições e de amigos. 

Em 1983, Artigas foi obrigado a prestar um concurso para recuperar o cargo de professor titular da Faculdade, onde lecionou até falecer, em 1985.

Esta passagem da vida do arquiteto foi tão marcante que quando de seu velório, sua esposa, Virginia, não permitiu que o velório ocorresse no prédio da FAU, como muitos queriam. Ela estava certa de que Artigas morreu de desgosto e decepção pela forma como foi tratado pela comunidade universitária no momento de sua reintegração. O velório ocorreu no salão da Câmara Municipal de São Paulo.

Junto de outros profissionais de sua geração, como Lina Bo Bardi, Rino Levi, Abelardo de Souza, Paulo Mendes da Rocha, Vilanova Artigas deixou um legado que ainda hoje encontra referência na arquitetura contemporânea em obra de profissionais como Ruy Ohtake (já falecido) Pedro Mendes da Rocha, Francisco Spadoni e Angelo Bucci.

Fontes:

https://vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/14.165/5675

https://www.archdaily.com.br/br/01-12942/classicos-da-arquitetura-faculdade-de-arquitetura-e-urbanismo-da-universidade-de-sao-paulo-fau-usp-joao-vilanova-artigas-e-carlos-cascaldi

https://revistacasaejardim.globo.com/colunistas/luiz-sobral-fernandes/coluna/2023/08/brutalismo-paulista-a-arquitetura-marcada-pelo-concreto-aparente.ghtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Vilanova_Artigas

https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/4318-vilanova-artigas

https://www.archdaily.com.br/br/01-12942/classicos-da-arquitetura-faculdade-de-arquitetura-e-urbanismo-da-universidade-de-sao-paulo-fau-usp-joao-vilanova-artigas-e-carlos-cascaldi

https://www.nelsonkon.com.br/faculdade-de-arquitetura-e-urbanismo-usp/

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Breve história dos cemitérios de São Paulo https://casadaboiacultural.com.br/breve-historia-dos-cemiterios-de-sao-paulo/ https://casadaboiacultural.com.br/breve-historia-dos-cemiterios-de-sao-paulo/#respond Thu, 06 Nov 2025 11:00:00 +0000 https://casadaboiacultural.com.br/?p=5022 Em 2 de novembro celebra-se o Dia de Finados, de origem na doutrina católica para recordar e rezar pelos mortos. Neste dia os cemitérios se recobrem de flores e homenagens daqueles que, na cidade de São Paulo, visitam seus mortos enterrados nos cerca de 35 cemitérios públicos e privados da capital.

A origem do Dia de Finados está ligada ao Dia de Todos os Santos, tradição da Igreja Cristã primitiva para celebrar os mártires que morreram por sua fé. Na Igreja Cristã Ocidental, o Papa Gregório III (731-741) é frequentemente creditado por estabelecer o dia 1º de novembro como o Dia de Todos os Santos. 

Essa data foi escolhida para coincidir com a dedicação de uma capela na Basílica de São Pedro, em Roma, a “Todos os Santos”. Uma tentativa de unificar as diversas celebrações locais e festas dedicadas aos santos e estabelecer uma data universal para honrar todos os santos.

Desta tradição originou-se o Dia de Finados. A celebração foi estabelecida no século X (por volta do ano 998 d.C.) pelo abade beneditino Santo Odilon de Cluny, na França. Ele determinou que os mosteiros sob sua jurisdição dedicassem o dia seguinte ao Dia de Todos os Santos (1º de novembro) para rezar pelos mortos que, segundo a doutrina, estariam no Purgatório, esperando a purificação para entrar no Paraíso.

A prática de Cluny foi gradualmente adotada por toda a Igreja Católica, tornando-se uma festa litúrgica oficial e universalmente celebrada.

Do sepultamento intramuros ao primeiro cemitério da cidade

Na época colonial e imperial, o costume vigente era o sepultamento intramuros, ou seja, dentro das igrejas ou nas suas imediações (nos adros e porões).

Cripta da Catedral da Sé. Religiosos e personagens históricos, como o Cacique Tibiriçá, estão sepultados "intramuros", ou seja, dentro da área do templo.
Cripta da Catedral da Sé. Religiosos e personagens históricos, como o Cacique Tibiriçá, estão sepultados “intramuros”, ou seja, dentro da área do templo.

Ser sepultado dentro da igreja era um símbolo de status social e poder aquisitivo. Membros do clero e das elites eram enterrados próximos ao altar ou no chão da nave principal em criptas e catacumbas enquanto as demais pessoas eram sepultadas em valas comuns, nos fundos dos templos ou nos adros (pátios).

Este costume durou séculos, mas à medida que a cidade crescia esta prática trazia um problema sanitário. A decomposição dos corpos em locais fechados e próximos aos centros urbanos causava um forte odor e era vista como uma fonte de doenças, como a febre amarela e a cólera.

A necessidade de afastar os mortos do convívio dos vivos por questões sanitárias (influenciada por tendências europeias) levou à criação dos primeiros cemitérios públicos, fora dos muros da igreja.

Assim, o primeiro cemitério público da cidade de São Paulo foi criado entre 1775 e 1780. Ficou conhecido como “Cemitério dos Aflitos” e estava localizado onde hoje está a Praça da Liberdade, no bairro do mesmo nome, no centro da capital.

Alí eram enterradas as pessoas pobres, os escravizados, criminosos e a todos que não tinham jazigos nas igrejas.

O cemitério foi desativado na metade do século XIX, por volta de 1858,  e o terreno ocupado por novas edificações, inclusive a Capela Nossa Senhora dos Aflitos, que marca o local do antigo cemitério.

São Paulo precisava de um novo cemitério

Estudo de implantação do Cemitério da Consolação.
Estudo de implantação do Cemitério da Consolação.

Ainda que inaugurado oficialmente no ano de 1858, o atual Cemitério da Consolação tem uma história anterior. Foi em meados de 1829, que o então vereador Joaquim Antonio Alves Alvim defendeu a construção de um cemitério público na cidade.

A proposta resultou em imensa discussão que durou cerca de trinta anos e nesse período o projeto foi sofrendo alterações sobre sua localização: ao lado da igreja da Consolação, no bairro da Luz, ou no bairro Campos Elísios. 

Em 1855, o engenheiro Carlos Rath elaborou um estudo indicando que o melhor local era a região da Consolação, pois ficava em altitude elevada, era favorecida pela direção dos ventos dominantes (que seguiam para a periferia), tinha qualidade do solo adequada e tinha boa distância da cidade.

Quando se deu o surto de varíola na cidade de São Paulo, em 1858, os corpos ainda estavam sendo enterrados nas igrejas. O presidente da província ordenou então à Câmara Municipal de São Paulo, em 7 de julho de 1858, que proibisse a partir de então as práticas de sepultamento nos templos. 

Dessa forma o Cemitério da Consolação passaria a receber os primeiros corpos das vítimas dessa epidemia, antes mesmo que as obras estivessem totalmente concluídas. Assim, no dia 15 de agosto de 1858, quando aconteceu o primeiro sepultamento, foi oficialmente inaugurado o cemitério público de São Paulo.

Cemitério da Consolação à época de sua inauguração.
Cemitério da Consolação à época de sua inauguração.

Em seus primeiros anos era o lugar de sepultamento de pessoas de todas as classes sociais, incluídos os escravos, que foram posteriormente transferidos ao Cemitério dos Aflitos. 

Até o ano de 1893, era o único na cidade de São Paulo, quando foi aberto o Cemitério do Brás (atual Cemitério da Quarta Parada). Em 1897, foi inaugurado o Cemitério do Araçá. Com a construção dessas duas novas necrópoles, o local passou por um processo de elitização, recebendo quase que exclusivamente pessoas das classes média e alta, devido ao loteamento dos terrenos em jazigos perpétuos que passaram a ser vendidos pela prefeitura.

A elitização do Consolação e a herança artística que pode ser visitada

Ainda que público, com a venda dos terrenos por parte da municipalidade, o Cemitério da Consolação passou por um processo “natural” de elitização, tanto que o próprio poder público passou a reivindicar para o espaço melhor estrutura.

Após reforma Cemitério da Consolação ganha entrada monumental. Projeto de Ramos de Azevedo.
Após reforma Cemitério da Consolação ganha entrada monumental. Projeto de Ramos de Azevedo.

Em 1901, o então vereador José Oswald Nogueira de Andrade, pai do escritor Oswald de Andrade, propôs uma reforma geral nos muros e portões de entrada, com o argumento de que estava com um aspecto desagradável para a cidade. Um ano depois, as reformas foram aprovadas, com o projeto do arquiteto Ramos de Azevedo que se mantém até hoje.

São incontáveis os nomes de importantes personalidades da política, das ciências, das artes e representantes do setor produtivo, como empresários e empreendedores que estão sepultados no cemitério da Consolação.

Luís Gama, advogado, intelectual abolicionista; Washington Luiz, presidente da república, Victor Dubugras, arquiteto, Tarsila do Amaral, pintora, Monteiro Lobato, escritor, Paulo Vanzolini, cientista, Paulo Machado de Carvalho, empresário, a Marquesa de Santos, Olívia Guedes Penteado, Mario de Andrade, Líbero Badaró, Francisco Matarazzo, Ramos de Azevedo, Emílio Ribas e Caetano de Campos são apenas alguns nomes de pessoas que participaram da história e que foram sepultados no Consolação.

O Cemitério da Consolação abriga o maior mausoléu da cidade, o da Família Matarazzo.
O Cemitério da Consolação abriga o maior mausoléu da cidade, o da Família Matarazzo.

Por suas características pessoias e principalmente por sua colocação social, os túmulos destas personalidades e de outros, no Cemitério da Consolação,  se destacam por suas dimensões e/ou por conterem obras de arte compondo suas instalações.

O mausoléu da família Matarazzo, por exemplo, é o maior do cemitério e o maior da América Latina.

Esculturas de Alfredo Oliani, Amedeu Zani, Antelo Del Debbio, Armando Zago, Bruno Giorgi, Luigi Brizzolara e Victor Brecheret são apenas algumas das centenas de obras escultóricas que decoram túmulos e mausoléus do Cemitério da Consolação. 

Além destes, muitos túmulos trazem ornamentação em portas de ferro e bronze, de artistas desconhecidos, mas não menos significativos para o conjunto histórico representado pela arte tumular.

Vale mencionar que a família Rizkallah tem também no Cemitério da Consolação o túmulo de seus membros, incluindo o fundador da Casa da Boia, Rizkallah Jorge Tahan e sua esposa Zékie Naccache.

Além de centenas de obras como "O Sepultamento" de Victor Brecheret.
Além de centenas de obras como “O Sepultamento” de Victor Brecheret.

A concessionária de serviços funerários da cidade de São Paulo, a Consolare, promove visitas mediadas ao Cemitério da Consolação.A visita é gratuita e mediada por Francivaldo Gomes, conhecido como Popó,  funcionário da prefeitura que realiza o tour mediado há mais de 20 anos no cemitério da Consolação.

A visita é uma oportunidade de aprender e conhecer mais sobre as personalidades que fizeram parte da história de São Paulo e do país que estão sepultadas no cemitério. 

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pela plataforma Sympla, que traz os dias e horários disponíveis.

A relevância dos outros cemitérios

Referenciar o Cemitério da Consolação como um espaço também de legado cultural, artístico e arquitetônico é comum quando se fala da história da capital, mas outros cemitérios tem também relevância neste contexto.

É o caso do Cemitério do Araçá, bem próximo do Consolação, aberto em 1897. Nele estão os túmulos de personalidades como Cacilda Becker, Assis Chateaubriand, Adib Jatene e Nair Belo. Assim como no Consolação, o Araçá guarda um inestimável patrimônio cultural, com esculturas de anjos, serafins, querubins de mármore e bronze.

Cemitério São Paulo é também espaço de muitas obras escultóricas, como "O último adeus", de Alfredo Oliani.
Cemitério São Paulo é também espaço de muitas obras escultóricas, como “O último adeus”, de Alfredo Oliani.

O Cemitério São Paulo, também conhecido como Necrópole São Paulo, foi inaugurado em 1926 na região de Pinheiros. Ele foi concebido para atender à demanda da elite econômica e social que não encontrava mais espaço para grandes mausoléus nas áreas mais nobres do Consolação.

Assim, tanto quanto o Consolação e o Araçá, o Cemitério São Paulo guarda um grande acervo de arte tumular, além de abrigar os túmulos de personalidades históricas.

O escultor modernista Victor Brecheret está sepultado no cemitério, que conta com várias esculturas de sua autoria em outros túmulos. O também modernista, Menotti Del Picchia, o ex-prefeito da cidade Prestes Maia e o empresário Abilio Diniz são outras personalidades sepultadas no Cemitério São Paulo.

Já no século XX, a cidade em expansão necessitava de espaços maiores para ampliar a oferta de jazigos. Assim, em 1949 é inaugurado o Cemitério da Vila Formosa.

Maior cemitério da América Latina, o Vila Formosa, data de 1949.
Maior cemitério da América Latina, o Vila Formosa, data de 1949.

Ele ocupa uma área de 763.175 m². É considerado o maior cemitério da América Latina e o segundo maior do mundo. Para se ter uma noção da dimensão do local, ele é a quarta maior área verde do município, sendo superado apenas pelos parques Anhanguera, Ibirapuera e Carmo. 

Desde a sua inauguração, já foram realizados mais de 1,5 milhão de sepultamentos. É uma necrópole voltada sobretudo para pessoas menos abastadas, embora abrigue túmulos de personalidades como o compositor Adoniran Barbosa e da atriz pioneira do teatro brasileiro, Maria Della Costa.

Cemitérios particulares surgiram praticamente junto com os públicos

Cemitério dos Protestantes. Um dos primeiros cemitérios particulares de São Paulo, do Séc. XIX.
Cemitério dos Protestantes. Um dos primeiros cemitérios particulares de São Paulo, do Séc. XIX.

É preciso lembrar que o Brasil colonial e mesmo Republicano tinha a predominância do Catolicismo como religião. Neste contexto, nos cemitérios públicos invariavelmente predominava os ritos de sepultamento dos católicos. Neste contexto histórico surgiu o primeiro cemitério particular da cidade.

Os Protestantes (principalmente imigrantes alemães e ingleses, como luteranos e presbiterianos), judeus e outras religiões sentiam-se preteridos, quando não rejeitados, nos cemitérios públicos.Seus túmulos sempre ficavam em áreas periféricas destes cemitérios e os sepultamentos não respeitavam os ritos de suas crenças.

Desta forma, em 1844, por iniciativa de grupos como o de imigrantes alemães e com apoio de cônsules (como o da Prússia), foi criada a ACEMPRO (Associação Cemitério dos Protestantes), que estabeleceu o primeiro cemitério em 1844 na área contígua à do Cemitério da Consolação.

Em 1968 o Cemitério do Morumbi, particular. traz para o Brasil o conceito de "cemitéro-parque".
Em 1968 o Cemitério do Morumbi, particular. traz para o Brasil o conceito de “cemitéro-parque”.

A ACEMPRO hoje administra outros cemitérios, como o da Paz, no Morumbi, o do Redentor, na Av. Dr. Arnaldo e o da Colônia, em Parelheiros.

A partir dos anos 1960, surgem na cidade os cemitérios-parque, áreas em que não existem construções sobre os jazigos, como os túmulos e mausoléus dos cemitérios convencionais, e sim extensas áreas ajardinadas, um conceito trazido dos Estados Unidos e Europa.

O Cemitério do Morumbi, inaugurado em 1968 é tido como o primeiro da América do Sul. Depois vieram outros, como Gethsemani, também no Morumbi, o Memorial Parque Jaraguá e o Cemitério Memorial Parque das Cerejeiras, dentre outros.

Fontes:

https://prefeitura.sp.gov.br/web/spregula/w/cemiterios

http://condephaat.sp.gov.br/benstombados/cemiterio-da-consolacao-dos-protestantes-e-da-ordem-terceira-do-carmo/

https://www.cemiterioconsolacao.com/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cemit%C3%A9rio_da_Consola%C3%A7%C3%A3o

https://www.cartacapital.com.br/blogs/32xsp/quais-sao-e-onde-estao-os-cemiterios-publicos-em-sp/

https://www.descubrasampa.com.br/2024/01/arte-tumular-do-cemiterio-da-consolacao-parte-1.html

https://www.descubrasampa.com.br/2024/01/arte-tumular-do-cemiterio-da-consolacao-parte-2.html

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O 1º Salão Paulista de Arte Fotográfica e o Foto Cine Clube Bandeirantes https://casadaboiacultural.com.br/o-1o-salao-paulista-de-arte-fotografica-e-o-foto-cine-clube-bandeirantes/ https://casadaboiacultural.com.br/o-1o-salao-paulista-de-arte-fotografica-e-o-foto-cine-clube-bandeirantes/#respond Thu, 30 Oct 2025 11:00:00 +0000 https://casadaboiacultural.com.br/?p=4933 Em outubro de 1942 um evento pioneiro para a fotografia paulistana aconteceu no centro de São Paulo. O 1º Salão Paulista de Arte Fotográfica se propunha a inserir a fotografia no contexto da criação artística, uma vez que esta expressão era considerada uma “arte menor”. Seus organizadores, membros do Foto Cine Clube Bandeirantes, não apenas trouxeram reflexão à cena cultural de então, mas representaram a geração que incorporou o modernismo à fotografia criada em São Paulo.

“Em São Paulo , a primeira tentativa de organização de um clube fotográfico ocorreu em 1926. A ‘Sociedade Paulista de Photographia‘, entretanto, não durou muito; extinguiu-se em 1929, após a realização de sua primeira exposição pública, tais as dificuldades encontradas para se manter. Chegara a editar também uma ótima revista: “Sombras e Luzes”. Mas, ainda não havia ambiente para a fotografia – arte. Poucos acreditavam nela e os críticos de arte não a admitiam como tal.

Somente 10 anos depois destacados aficionados paulistanos voltaram a pensar em nova sociedade. Eles costumavam reunir-se na “Photo-Dominadora”, uma loja de artigos fotográficos na Rua São Bento, de propriedade de Antônio Gomes de Oliveira e Lourival Bastos Cordeiro, eles próprios adiantados praticantes da fotografia. Um desses freqüentadores era José Medina, que pelas ondas da P.R.K.9 – Radio Difusora, mantinha um programa diário sobre fotografia – “Instantâneos no Ar” – no qual dava conselhos, anunciava as novidades, comentava as fotos enviadas por ouvintes e promovia concursos. Nas reuniões vespertinas na “loja do Gomes “, esses aficionados mostravam e discutiam suas fotos e experiências, as câmaras, objetivas, etc…Até que um dia, não se sabe de quem partiu a idéia ,decidiram fundar um novo foto-clube. Abriram-se listas de adesões e ao atingir o número considerado mínimo necessário –  50 aderentes – convocou-se a Assembléia Geral de Fundação , para a noite de 28 de Abril de 1939, no salão do Portugal Clube, no Edifício Martinelli, gentilmente cedido”.

O texto acima pertence à página de apresentação da história do mais emblemático e pioneiro clube de fotografia de São Paulo. O Foto Cine Clube Bandeirantes.

A década de 1940 e o preconceito com a foto arte

Vivíamos a primeira metade do Século XX. A Fotografia como processo completava pouco mais de 100 anos (considerando a primeira foto registrada em 1826 pelo francês Joseph Nicéphore Niépce), mas neste século de existência ainda não era considerada “arte” pelos acadêmicos.

A década de 1940 consolidou o modernismo iniciado nos anos 1920 na literatura, nas artes e na arquitetura, buscando consolidar uma identidade nacional. Nomes como Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Cândido Portinari, Victor Brecheret impulsionam as discussões estéticas e os rumos das artes, mas, dentre estes, nenhum “fotógrafo”.

Ainda que apartados das rodas da intelectualidade, a fotografia como forma de “capturar a realidade” fascinava tanto o pai de família operário quanto parte mais sensível de artistas que acreditavam que empunhar a câmera e através dela escolher o que registrar era sim, uma atitude de curadoria.

Hildegard Rosenthal, por exemplo, uma das primeiras fotojornalistas brasileiras atuando em São Paulo naquela década, construiu imagens muito além do factual. Inegavelmente escolhas estéticas elaboradas faziam parte de seus registros e assim como ela, muitos dos que já compreendiam essa relação acabaram por compreender que se organizar em um clube pudesse lhes dar projeção, ou ao menos ecoar as pretensões estéticas.

Neste contexto, o surgimento do Foto Cine Clube Bandeirantes foi absolutamente fundamental para a fotografia produzida na cidade a partir de então.

Nasce o clube de fotografia 

Grupo de fundadores do mais antigo clube de fotografia de São Paulo.
Grupo de fundadores do mais antigo clube de fotografia de São Paulo.

Fundado na noite de 28 de abril de 1939 neste contexto de marginalização da fotografia como arte, o então Foto Clube Bandeirantes ganhou este nome inspirado nos antigos desbravadores do Brasil, pois previa-se que a nova entidade também deveria desbravar um terreno artístico-cultural ainda inóspito.

Na mesma noite os 32 signatários da ata de fundação elegeram a primeira diretoria: presidente, Alfredo Penteado Filho; Vice – Presidente Benedito J.Duarte; 1º Secretário, José Donati; 2º Secretário , Victor Caccurri Jr.; 1º Tesoureiro, Wladomiro Moretti; 2º Tesoureiro, Luís F.Lima; Diretor Técnico, José Medina; Diretor de publicidade, Eugenio Fonseca Filho e Diretor de Excursões, José V.E. Yalenti.

O “Conselho de Fundadores” ficou constituído por Antônio Gomes de Oliveira, Lourival Bastos Cordeiro, Jorge Backer, Eduardo de S. Thiago, Júlio de Toledo, Francisco B.M.Ferreira, Joaquim R.Borges, Edgar Flacquer , José Louzada F. Camargo e Jorge Siqueira Silva.

Um dos principais promotores da atuação eficiente do Foto Cine Clube Bandeirante foi Eduardo Salvatore, advogado paulista, que presidiu o clube durante os anos de 1943 a 1990. Ele foi responsável pela congregação dos clubes brasileiros e articulou a formação da Confederação Brasileira de Fotografia e Cinema, em 1950, associada à Federation Internacionale de L’Art Photographique (FIAP), tornando o Brasil o único representante da América do Sul. 

Salvatore incentivou a criação de novas agremiações foto-clubistas em todo Brasil enviando o estatuto do Bandeirante como exemplo a ser seguido.

Integrantes da primeira excursão fotográfica do Foto Clube Bandeirantes, à cidade de Guararema, em 1939.
Integrantes da primeira excursão fotográfica do Foto Clube Bandeirantes, à cidade de Guararema, em 1939.

Essas iniciativas contribuíram para que os trabalhos selecionados nos concursos internacionais transitassem em um circuito estruturado, dando maior visibilidade às imagens, que percorriam diversos salões, com um planejamento prévio, aos cuidados de uma associação que era responsável pela distribuição em regiões determinadas. Outro aspecto importante foi o intercâmbio de portfólios, para cuja atividade contou com uma secretária exclusiva no clube que fazia a seleção individual de trabalhos a serem enviados para diferentes países. A troca de correspondência entre os clubes estrangeiros trazia as últimas novidades técnicas e estimulava a reflexão sobre o papel da fotografia nas artes.

Em dez anos de atividade, o Bandeirante adquiriu uma sede própria com ajuda de seus associados, profissionais liberais pertencentes a uma camada social privilegiada que fez da fotografia um hobby e contribuiu para a formação de uma rede de influências políticas que beneficiou a consolidação do clube. 

As exposições iniciais dos foto clubes brasileiros eram exibidas, na maioria das vezes, em pequenas salas em suas sedes ou em salões de instituições comerciais, foyer de hotéis ou bibliotecas, entretanto, com o Bandeirante os locais de exibição ganharam outra dimensão e visibilidade.

O 1º Salão Paulista de Arte Fotográfica

Abertura do 1º Salão Paulista de Arte Fotográfica, em 1942.
Abertura do 1º Salão Paulista de Arte Fotográfica, em 1942.

Como meio para atrair a atenção dos aficionados pela fotografia, da imprensa e do público em geral, e também como forma de dar publicidade ao Clube, no início da década de 1940 a diretoria do Foto Cine Clube Bandeirantes lançou-se à realização do 1º Salão Paulista de Arte Fotográfica. Apesar da denominação ele teria âmbito nacional (e até internacional, com a participação de trabalhos de clubes de fotografia da Argentina e Uruguai). 

Em 1942, o Primeiro Salão Paulista de Arte Fotográfica foi organizado pelo Foto Clube Bandeirante, na Galeria Prestes Maia, espaço pertencente à prefeitura da cidade, que aproveitava as estruturas abaixo do Viaduto do Chá. 

A Galeria era um endereço conceituado no campo artístico, onde aconteceram grandes eventos internacionais, como a exposição A nova Pintura Francesa e seus Mestres – de Manet a nossos dias, que exibiu obras de pintores consagrados da escola de Paris, além de mostras de pintura britânica, canadense, dentre outras. No cenário nacional, a Galeria Prestes Maia exibia anualmente o Salão Paulista de Belas Artes, referência para os artistas modernistas da época.

A estratégia adotada por Salvatore, no sentido de legitimar a fotografia no campo das artes, lembra as iniciativas do fotógrafo norte americano Alfred Stieglitz, considerado o primeiro a ter uma foto exposta em um museu,  que expôs alternadamente, em galeria, fotografias e obras de artistas conceituados.

O Salão aconteceu, naturalmente, pela articulação do grupo de fotógrafos do Bandeirantes, mas muito também pelo apoio do Prefeito da capital, Francisco Prestes Maia e seus Secretários Francisco Patti, da Cultura, e Cristiano Ribeiro da Luz, de Obras. 

Capa do catálogo do Salão, com a foto vencedora "Máscaras da Velhice", de Henrique Joseph.
Capa do catálogo do Salão, com a foto vencedora “Máscaras da Velhice”, de Henrique Joseph.

Foi inaugurado a 3 de outubro de 1942, com amplo sucesso. Além das fotos nacionais, pela primeira vez no país se exibiam, “ao vivo”, fotografia de autores estrangeiros: na seção “Boa Vizinhança” (fora do concurso), especialmente convidados, artista fotógrafos argentinos, dos Foto Clubes de Concórdia e de Rosário, com os quais o Bandeirante iniciara intenso intercâmbio.

Pela primeira vez os paulistanos não pertencentes aos círculos culturais e experimentais da fotografia tiveram ampla oportunidade de observar as impressões fotográficas em um ambiente luxuoso, acostumado à pintura.

O Júri do salão ,composto por Adhemar Queiroz de Morais, Antenor Liberato de Macedo, Benedito J. Duarte, Benedito B. Barreto (Blemonte) e Carlos Vieria de Carvalho, conferiu o 1º prêmio a um belo duplo-retrato de um casal de anciões (“Máscaras da Velhice”) de autoria do profissional Hejos (Henri Joseph); o 2º prêmio coube a Kasys Vosylius, do rio de Janeiro; o 3º prêmio, a Raul dos Santos Carvalho, também do Rio; o 4º a Jorge Bittar, e o 5º a Herman Binder, ambos de São Paulo.” Menções Honrosas ” foram concedidas a Kazys Voslius, Hermes Cardoso e Ely A. Germano, (ambos de Curitiba), Max H.Wirth, de Guararapes, e Thomas J.Farkas, Luiz F. Lima, Eduardo Salvatore, Lauro Maia, Guilherme Malfatti, Plinio S.Mendes e José V.E.Yalenti, todos de São Paulo.

O Bandeirantes se consolida

O Clube passa a editar um boletim em 1946...
O Clube passa a editar um boletim em 1946…

Um dos principais objetivos dos membros do Clube, a difusão de suas atividades e aspirações foi atingida com o Salão e pouco tempo depois, em 1945, aderiu ao clube um importante grupo de cineastas amadores e criou-se o Departamento de Cinema, sob a direção de Jean Jurre Roos. O clube altera seu estatuto, e passa a denominar-se Foto Cine Clube Bandeirantes. 

A sede da rua São Bento tornou-se acanhada e em 1949 o clube adquire uma ampla sede própria, na Rua Avanhandava 316, o que lhe permitiu instalar os primeiros cursos de fotografia e cinema que se realizaram no país e a década seguinte seria de consolidação do Clube e muito de seus integrantes.

Nos anos 1950 o Bandeirantes promove os primeiros Festivais Nacionais e Internacionais de Cinema Amador; seu boletim informativo (criado em 1946) torna-se a revista  “Foto Cine”, uma influente publicação para discussão da fotografia e do cinema e o clube realiza exposições com renomados autores do país e do estrangeiro, além de seminários, debates e palestras.

... que depois se tornaria uma importante revista.
… que depois se tornaria uma importante revista.

Vários outros foto clubes se organizaram no interior de São Paulo e em outros Estados do Brasil, sob a inspiração do que acontecia no Bandeirantes. Em dezembro de 1950 durante a 1º Convenção Nacional de Arte Fotográfica, que reuniu representantes de foto clubes de todo o Brasil, foi fundada a Confederação Brasileira de Fotografia e Cinema, que passou a representar o Brasil na “Federation Internationale de l’Art Photographique” – FIAP.

A evolução do Foto Cine Clube Bandeirantes se deu tanto como indutor de um pensamento estético e artístico da fotografia nacional, em suas décadas iniciais, quanto, posteriormente, como partícipe da popularização da linguagem fotográfica associada a uma atividade de hobby. Ao longo de sua existência foram milhares de saídas fotográficas organizadas e realizadas. O Foto Cine Clube Bandeirantes, com mais de 85 anos de atuação, ainda mantém cursos, realiza passeios fotográficos, promove palestras, possui um estúdio fotográfico para “coworking” de seus associados e ainda organiza e promove o Salão Paulista de Arte Fotográfica, já em sua 42ª edição.

O “centro” da fotografia em São Paulo

Ordem de serviço da "Photo Dominadora", uma das precursoras da fotografia paulistana.
Ordem de serviço da “Photo Dominadora”, uma das precursoras da fotografia paulistana.

Se hoje acessamos qualquer e-commerce e em dias ou mesmo horas, temos em nossa casa praticamente qualquer produto que desejamos, esta é uma realidade relativamente nova. Há não mais do que uns dez ou quinze anos, São Paulo concentrava algumas áreas temáticas de comércio de nicho. A própria rua Florêncio de Abreu se tornou conhecida como “Rua das Ferramentas”, a Santa Efigênia como a “Rua dos Eletrônicos”, a Teodoro Sampaio como a “Rua dos Móveis”, e assim tantas outras.

No centro, à época da criação do Foto Clube Bandeirantes, a Rua São Bento concentrava duas lojas pioneiras de equipamentos fotográficos. A Photo-Dominadora e a Fotoptica, esta última, aliás, fundada pelo imigrante húngaro Desidério Farkas, que “introduziu” o nome da família como uma das mais influentes na fotografia paulistana.

Desidério era pai do fotógrafo Thomas Farkas, expoente do Foto Clube Bandeirantes, que conduziu a Fotoptica até ser vendida, e avô do também fotógrafo João Farkas (filho de Thomas), um dos mais importantes fotógrafos dos biomas brasileiros.

A fotografia ganhou importância no cenário econômico, o que justificava até a edição de um boletim informativo pela Fotoptica.
A fotografia ganhou importância no cenário econômico, o que justificava até a edição de um boletim informativo pela Fotoptica.

Posteriormente, talvez pela proximidade com as redações de grandes jornais da capital, como a do Estado de São Paulo, da Folha de São Paulo, do Grupo Diário Associados, as ruas Conselheiro Crispiniano e a rua 7 de Abril, próximas ao Teatro Municipal e à Biblioteca Mário de Andrade, respectivamente, se tornaram um polo de comércio de equipamentos fotográficos novos e usados.

Centenas de lojas reuniam desde renomados fotojornalistas fazendo “escambo” de suas caríssimas câmeras a anônimos estudantes em busca de seu primeiro equipamento usado.

A concentração de lojas por décadas foi essencial ao desenvolvimento da fotografia, permitindo aos fotógrafos o acesso facilitado a insumos importados (filmes, papéis, químicos) e equipamentos especializados, além de ser um espaço de sociabilidade e troca de conhecimentos técnicos.

Com a ascensão da fotografia digital e o comércio eletrônico, essa concentração física diminuiu drasticamente, embora ainda existam dezenas de pequenas lojas e assistências técnicas em pequenas salas e lojas com um estilo“retrô”, que remetem aos tempos pioneiros em que o Foto Cine Clube Bandeirantes e os fotógrafos paulistas inseriram a fotografia no circuito da artes brasileiras.

Hoje as poucas lojas físicas que restaram dos tempos de "ouro" da fotografia se concentram basicamente na galeria sete de abril.
Hoje as poucas lojas físicas que restaram dos tempos de “ouro” da fotografia se concentram na galeria sete de abril.

Fontes:

https://fotoclub.art.br/

https://issuu.com/bdlf/docs/1_catalogo_outubro_1942

https://blogdojuanesteves.tumblr.com/post/118798545271/pap%C3%A9is-ef%C3%AAmeros-da-fotografia-rubens-fernandes

https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/33005/1/Tese%20A%20Legitima%C3%A7%C3%A3o%20da%20Fotografia%20no%20Campo%20da%20Arte%20e%20sua%20repercuss%C3%A3o%20na%20Bahia.pdf

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https://casadaboiacultural.com.br/o-1o-salao-paulista-de-arte-fotografica-e-o-foto-cine-clube-bandeirantes/feed/ 0
O Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista https://casadaboiacultural.com.br/o-lira-paulistana-e-a-vanguarda-paulista/ https://casadaboiacultural.com.br/o-lira-paulistana-e-a-vanguarda-paulista/#respond Thu, 23 Oct 2025 11:00:00 +0000 https://casadaboiacultural.com.br/?p=4888 O final da década de 1970 foi um período intenso para a sociedade brasileira. A ditadura dava sinais de estar chegando ao fim, a inflação que passaria a assolar o país nos próximos anos se avizinhava. A produção artística musical passava pelo domínio das grandes gravadoras multinacionais e das rádios. Neste caldo efervescente, surgiu em São Paulo um movimento artístico-cultural cujo objetivo era a produção artística independente.

Rua Teodoro Sampaio, 1091, bairro de Pinheiros. Hoje uma lanchonete comum em cujo porão, provavelmente se estocam alimentos e bebidas, bem em frente à Praça Benedito Calixto, um reduto de antiquários e artesãos que aos sábados compõem a famosa feira de antiguidades. Nada no imóvel indica que aquele porão, entre 1979 e 1986, foi literalmente o palco de um movimento cultural despretensioso, mas que influenciou a música brasileira desde então.

Lanchonete que funciona atualmente no local do teatro Lira Paulistana.
Lanchonete que funciona atualmente no local do teatro Lira Paulistana.

Foi naquele porão que o músico Wilson Souto Jr e o amigo administrador Valdir Galeano viram a oportunidade de realizar a vontade de “fazer algo relacionado às artes”, como conta o próprio Wilson ao Sesc, em entrevista publicada em 2019.

Segundo relata, Wilson comentou a vontade de abrir um teatro com o amigo, que aceitou participar da aventura. Juntos partiram para a busca de um espaço:

“…começamos a procurar um lugar. Num dos anúncios tinha um espaço na Teodoro Sampaio, número 1091-a, que falava em 400 metros quadrados. Achamos estranho e fomos ver. Era um porão com pé direito extremamente generoso, de 4,20 metros e com outra vantagem, uma viela sanitária que terminava nos fundos do imóvel, na qual pudemos abrir uma porta muito grande e construir uma escada muito grande… começamos a reformar junto com uns amigos porque o lugar estava completamente detonado.

Um dia andando na Teodoro pra comprar material, encontramos o pessoal da banda da Gota D’Água que voltava de um ensaio. Falei pra eles que tava fazendo um teatro, ou um circo, ainda não sabemos o que vai ser, mas é um espaço com uma arquibancada. E eles me disseram ‘pô, o Sérvulo (Augusto) tá escrevendo uma peça junto com o (José Rubens) Chachá chamada É Fogo Paulista, que é um musical’. 

Falei pra eles ‘por que vocês não vão conhecer o lugar e quem sabe a gente não monta lá?’. Na hora que eles viram eles se apaixonaram e trouxeram o diretor Mario Masetti, uma das pessoas mais incríveis que eu conheci, que topou na hora o desafio de fazer e reuniu um elenco muito importante. A peça foi um sucesso quase que imediato”.

O início em tempos sem redes sociais e o surgimento dos artistas de vanguarda

Matéria da Gazeta de Pinheiros sobre a peça inaugural do Lira Paulistana.
Matéria da Gazeta de Pinheiros sobre a peça inaugural do Lira Paulistana.

“Além do palco e da arquibancada, tínhamos um espaço para exposição de quadros, uma pequena livraria em que algumas editoras colocavam livros de contracultura, e a gente tinha um freezer com cerveja e refrigerante. O mesmo cara que vendia as bebidas também cuidava de um carrinho de pipoca.

A peça inicial deixava o teatro com segunda e terça livres, além de sexta e sábado depois da meia noite. Os caras da Vila Madalena começaram a me propor shows nesses dias. A coisa foi muito rápida. Começamos a fazer teatro infantil de sábado a tarde. Depois tinha a peça às nove e show à meia noite”, conta Wilson.

A proximidade do teatro com a efervescência cultural da Vila Madalena (muito diferente do que é hoje), então um bairro residencial, com muitas casas alugadas para estudantes da USP, ateliês, bares despretensiosos, artistas em início de carreira, levava ao Lira todo tipo de público. 

Arrigo Barnabé e Itamar Assunção.
Arrigo Barnabé e Itamar Assunção.

Wilson conheceu os músicos Itamar Assumpção e Arrigo Barnabé, artistas extremamente criativos que passaram a frequentar o local cuja fama de “independente” passava a atrair outros artistas em início de carreira. Principalmente, que não se enquadravam naquilo que as gravadoras consideravam “comercial”.

Logo o Lira Paulistana passou a apresentar shows de artistas de “vanguarda”, performances ousadas e experimentação musical.

“Essa fama de um espaço lançador e a vivência do Arrigo me fizeram ter vontade de montar uma gravadora. O primeiro disco foi exatamente do Itamar Assunção, que eu produzi. E isso foi movimentando. Veio Rumo, veio Premeditando o Breque, veio todo movimento dessa moçada que tava produzindo de uma maneira esparsa…então começou a ter de fato um conceito de Vanguarda Paulistana, mas era um nome genérico. Não tinha um estilo. Era muito mais uma história comportamental e de oportunidade”, lembra Wilson.

Público na entrada do Lira Paulistana.
Público na entrada do Lira Paulistana.

“Era uma catacumba. Lá aconteciam coisas que não aconteciam na superfície”, diz Luiz Tatit, o mentor do Grupo Rumo, sobre a liberdade de criação que habitava o porão do Lira. Todos eram bem recebidos. Os artistas independentes, que não tocavam nas rádios e na televisão, que não faziam música comercial. Os ‘marginais’, como chegaram a ser chamados à época. E o Grupo Rumo é um dos grandes exemplos dessa vontade de  criar e de se expressar que chegava no momento em que o regime  militar brasileiro dava claros sinais de cansaço”.

Vanguarda Paulistana. O movimento que rompeu a bolha do “alternativo”

Grupo Rumo, formado por universitários da USP.
Grupo Rumo, formado por universitários da USP.

O termo Vanguarda Paulistana não foi um rótulo autoproclamado, até porque, não foi um movimento “orquestrado” por uma liderança, mas sim uma classificação criada por jornalistas e críticos para tentar definir a explosão simultânea de criatividade que ocorria na cidade de São Paulo e que “afunilava” no palco do Lira Paulistana.

O movimento surgiu da reunião de músicos, muitos deles com formação acadêmica (como Arrigo Barnabé, oriundo da Escola de Comunicações e Artes da USP – ECA), com artistas autodidatas e de diversas origens (como Itamar Assumpção, que vinha do interior), todos compartilhando o desejo de fazer uma música nova, livre das amarras comerciais e da censura. 

Itamar Asunção (ao centro, em cima) e a banda Isca de Polícia.
Itamar Asunção (ao centro, em cima) e a banda Isca de Polícia.

Arrigo Barnabé (com sua ópera-rock “Clara Crocodilo”), Itamar Assumpção (com uma linguagem afro-urbana e poética visceral), o Premeditando o Breque (Premê) e o Grupo Rumo (com foco no humor, na sátira e na releitura do samba e do breque) são alguns dos nomes mais lembrados deste movimento, mas ele catalisou muito mais artistas de vertentes, origens e estilos diferentes em uma diversidade experimental única.

Além dos paulistas o movimento acolheu vertentes como o “sertanejo lisérgico” de Tetê Espíndola, cantora natural de Mato Grosso do Sul que se consagrou a se aliar a Arrigo Barnabé – sendo a primeira a gravar uma canção dele, em seu disco solo Piraretã, de 1980.

Outro nome que rompeu barreiras foi o músico Passoca (Marco Antônio Vilalba). Conhecido como o “violeiro da vanguarda”, ele trouxe o som da viola caipira – até então marginalizado pela MPB erudita – para o centro do debate experimental. Passoca provou introduziu ao movimento a busca por uma nova linguagem musical cuja premissa era a de que “toda arte tem que ser experimental”.

Junto ao sertanejo de Tetê e ao “caipira” de Passoca, nomes como Ná Ozzetti e Dante Ozzetti trafegavam entre o erudito e o popular. Suzana Salles, Eliete Negreiros e Vânia Bastos também se notabilizaram pela qualidade vocal e por um repertório experimental.

Muitos desses artistas tiveram discos lançados pela gravadora independente Lira Paulistana e a relevância de sua produção artística rompeu a bolha do “alternativo”. O movimento chegou até a ser chamado de “a maior novidade na música brasileira desde a Tropicália”.

Os “vanguardistas” ganham espaço na mídia

Programa "A Fábrica do Som" deu projeção a artistas independentes.
Programa “A Fábrica do Som” deu projeção a artistas independentes.

Se o Lira Paulistana foi o catalisador deste movimento com seu teatro, a gravadora e uma pequena editora, vale lembrar que a ousadia de alguns programas da TV aberta (aliás, TV por assinatura era uma realidade muito distante naqueles anos 80) ajudaram a romper a bolha dos “iniciados” e revelou para um público maior o que acontecia no entorno do Lira.

O programa “A Fábrica do Som” da TV Cultura foi ao ar entre 1983 e 1984, apresentado pelo multi artista Tadeu Jungle e gravado no Teatro Sesc Pompéia, era uma verdadeira mostra permanente desta nova música brasileira. O objetivo ousado do programa, que talvez só se concretizou por ser exibido em uma TV pública, era promover e incentivar a pesquisa musical divulgando obras inéditas e originais. 

Além das performances dos artistas ligados à Vanguarda Paulistana, o musical apresentou na televisão, pela primeira vez, bandas como Ultraje a Rigor, Paralamas do Sucesso, Ira! e Titãs, além de abrir espaço, frequentemente, para outras manifestações artísticas de vanguarda, como a poesia concreta dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos. 

O programa se estabeleceu como um dos marcos televisivos mais importantes da época, traduzindo o espírito de liberdade criativa da Vanguarda para a tela do televisor e ampliando a visibilidade sobre o movimento.

O paradoxo do Festival dos Festivais

Tetê Espíndola vemceu o festival de 1985.
Tetê Espíndola venceu o festival de 1985.

O movimento da Vanguarda Paulistana tinha em si uma atitude tão anárquica, que, por mais paradoxal que possa ser, alguns de seus integrantes ganharam notoriedade na cultura de massa da época ao participar daquilo que a TV Globo chamou de “Festival dos Festivais”.

Em 1985 a Globo reeditou com grande sucesso a fórmula dos festivais de MPB que a TV Record realizou na década de 1960. Foi um evento de grande magnitude no cenário musical, promovido pela maior rede de TV do país, no qual cerca de 12 mil compositores se inscreveram para competir pelo prêmio em dinheiro, que reconheceria as melhores músicas, arranjos, letras, intérpretes e revelações. 

Mais do que isso, aparecer no festival significava projeção nacional em um mercado cultural, como já dissemos, dominado por grandes gravadoras, redes de rádio e TV. No contexto do festival ganharam notoriedade nomes que se tornaram relevantes na música nacional, como Oswaldo Montenegro, Leila Pinheiro e Emílio Santiago.

As bandas da Vanguarda Paulistana Joelho de Porco, com a música “A Última Voz Do Brasil”, Língua de Trapo, com “Os Metaleiros Também Amam”, o grupo Tarancón, com “Mira Ira” e Tetê Espíndola, com “Escrito nas Estrelas”, tiveram grande repercussão em suas apresentações.

Ao final, a “alternativa” Tetê Espíndola foi a vencedora, deixando Mira Ira, de Lula Barbosa, interpretada pelo Tarancón em segundo. Ambas as apresentações da final foram marcadas por uma catarse do público que lotou o ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, e acabaram projetando o movimento alternativo paulistano no cenário nacional.

O fim do Lira Paulistana

Independente desde sua concepção, o Lira Paulistana durou até 1986. Projetos pessoais dos fundadores, um novo cenário na cultura da cidade, problemas com a prefeitura que interditou o teatro por três vezes e os novos rumos dos artistas do núcleo foram determinantes para o fim das atividades do espaço cultural que, em seus sete anos de atividades despretensiosas escreveu uma história importante na cultura brasileira.

A equipe do Lira Paulistana: em pé, Wilson Souto Junior (Gordo), Riba de Castro, Plínio Chaves, Edu Schiavone e Fernando Rozo Perez. Sentados: Fernando Alexandre, Márcia, Chico Pardal e Tiago Araripe. Acervo de Wilson Souto.
A equipe do Lira Paulistana: em pé, Wilson Souto Junior (Gordo), Riba de Castro, Plínio Chaves, Edu Schiavone e Fernando Rozo Perez. Sentados: Fernando Alexandre, Márcia, Chico Pardal e Tiago Araripe. Acervo de Wilson Souto.

Fontes:

https://programatahligado.wordpress.com/2013/12/03/lira-paulistana-e-a-vanguarda-paulista/

https://enciclopedia.itaucultural.org.br/termos/196072-vanguarda-paulista

https://memorialdaresistenciasp.org.br/lugares/teatro-lira-paulistana

https://epoca.globo.com/vida/noticia/2014/12/blira-paulistanab-um-delirio-de-porao-livro-reune-fotos-dos-titas-e-outros-artistas-em-inicio-de-carreira.html

https://www.sescsp.org.br/editorial/como-surgiu-o-lira-paulistana

https://lirapaulistana.com.br/tocou-lira/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Festival_dos_Festivais

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